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Leigos Missionários

Moçambique: Testemunho da Missão

 Estive em Moçambique nos anos de 2004 e 2005 na missão de Mangunde como Leiga Missionária Comboniana. A missão fica a 300kms da cidade da Beira para interior. Colaborei como professora no Projecto ESMABAMA dando aulas na escola da missão, trabalhando com os professores no aperfeiçoamento da sua prática pedagógica, ajudando no lar feminino e dando-me sempre que possível e oportuno.  

Este ano tive a graça de puder voltar a Moçambique e fiquei muito contente de constatar que o país está crescendo a todos os níveis: político, económico, social e no número e no empenho das suas comunidades cristãs. Foi com imensa alegria que verifiquei também que a maioria dos meus antigos alunos se encontram a estudar, ou até já são meus colegas, e continuam activos nas suas paróquias. Que gratificante para a missão de Mangunde e para todos os que lá se deram e continuam a dar das mais diversas formas!

Não quero com isto dizer que já não são precisos mais missionários em Moçambique, bem pelo contrário! Ainda há comunidades que não sentiram o Amor e a Misericórdia do Senhor, jovens que buscam uma luz para seguir, crianças que se querem sentir amadas incondicionalmente pelo Pai.

Peço orações e coragem para que aumente o número de missionários e para que os que se encontram em missão sejam sinal de simplicidade, fervor e total disponibilidade, à semelhança do nosso fundador São Daniel Comboni.

Tabonga! (Obrigada na língua local)

 

Maria Lucília Marques

Está escrito: Amarás!

Os velhos e crianças órfãs são susceptíveis de serem acusados de bruxaria e de sofrerem, como consequência da acusação, a total discriminação social e a morte.

 

Como outros países africanos, na República Centro-Africana as crenças na feitiçaria ou bruxaria permeiam a sociedade e estão na base de vários problemas sociais.

Aqui, pelo menos por enquanto, a lei já condena os casos de bruxaria, ainda que não consiga explicá-la e extirpá-la. Normalmente são as pessoas idosas e já sem família que são acusadas de bruxaria. E, sem se poderem defender, ou são judicialmente punidas ou são queimadas vivas em praça pública.

Dou-vos o exemplo da Catarina. Uma senhora idosa que se viu expulsa da sua comunidade e excluída da sociedade devido a acusações de bruxaria e que, há pouco mais de um ano, foi acusada e levada a tribunal por ter matado, através da bruxaria, alguém.

Na verdade, o julgamento foi feito aqui em Mongoumba, onde, graças a Deus, neste momento, podemos contar com um bom representante do Ministério Público. Assim, devido à falta de provas e à incoerência dos testemunhos, Catarina foi posta em liberdade. Claro que, para todo o povo, ela é uma bruxa perigosa e só permanece viva graças a este julgamento em que o procurador da República responsabilizou publicamente a família acusadora de tudo o que pudesse acontecer a esta idosa.

Nesta sociedade, deixou-se de ir à bruxa para procurar um remédio caseiro, passou-se a ir à bruxa para encontrar o responsável por algo de mau, seja por uma doença ou por um acontecimento negativo.

Actualmente, tentamos, com a ajuda de alguns (poucos) centro-africanos, lutar pela alteração da lei em vigor e por uma maior sensibilização para este problema entre os meios médico-hospitalares. A nível da Igreja, tentamos sublinhar a cada instante a máxima: Não matarás!

No entanto, a tarefa não é fácil, já que, em todas as áreas, esta raiz cultural parece ser a mãe de todas as formas de pensar. Assim, os obstáculos multiplicam-se no mundo político, jurídico e mesmo religioso. O problema máximo desta crença é que se trata de um alicerce de morte dentro da sociedade. Tudo se justifica com o injustificável. Todos os velhos e crianças órfãs são susceptíveis de serem acusados de bruxaria e de sofrerem, como consequência da acusação, a total discriminação social e a morte.

Unamos, pois, todos os esforços e orações em favor de uma transformação social e cultural inspirada pelo Evangelho e, sobretudo, em favor da Vida.

 

Susana Vilas Boas, LMC

Envio da Márcia

 

Neste fim-de-semana de 24 e 25 de Outubro, pudemos estar presentes na Paróquia da Márcia, Valongo do Vouga, para celebrar o seu envio para a missão de Mongumba na Republica Centro Africana, juntamente com a sua Comunidade Eclesial.

 

No Sábado, começamos por participar em vários encontros de catequese onde falamos da partida da Márcia e apresentamos vários aspectos da Missão da Igreja. Estivemos presentes na Missa para as crianças, muito participada, onde se percebeu a animação da sua Paróquia. À noite, fizemos uma vigília de oração com um bom número de pessoas.

 

No Domingo foi o grande dia, a igreja estava cheia para participar na Missa de envio presidida pelo Pe. Luís Filipe Dias, Missionário Comboniano que, para além de já ter trabalhado naquela paróquia, foi um dos responsáveis pela construção das fundações do nosso Movimento em Portugal.

 

A Eucaristia foi carregada de sentido e vivida com muita emoção. Para alem do significado que tem a partida da Márcia, foi sublinhado o papel dos que ficam, especialmente dos familiares e amigos mais próximos, que também são convidados a olharem para este acontecimento com os olhos da fé e a entregarem todas as dificuldades a Deus para participar desta forma tão especial na Missão da Igreja.

 

Foi muito bom poder ter participado neste fim-de-semana missionário, por tudo o que representa a partida de mais uma missionária de Jesus para o Mundo, mas também pelo convívio com todos aqueles que se sentem próximos da Márcia e participaram da festa.

 

A forma como a família da Márcia nos abriu as portas foi tocante, dando-nos o privilégio de assistir, tanto à alegria de vê-la a dar um passo tão importante, como à saudade que o afastamento que se aproxima promete a todos.

 

Agradecemos a hospitalidade de toda a comunidade de Valongo do Vouga que foi maravilhosa pelo entusiasmo demonstrado nas Eucaristias. Agradecemos ao Pe. João Paulo, pároco de Valongo do Vouga, pela disponibilidade, abertura e participação sentida. Finalmente agradecemos à Família da Márcia pela alegria e hospitalidade com que nos recebeu. 

 

Todos juntos pedimos ao Senhor que, por intercessão de Maria e Comboni, acompanhe sempre a Márcia pelos caminhos da Missão, que mantenha o seu coração aberto aos Seus Desígnios e os nossos fervorosos na oração para que tudo corra segundo a Sua vontade.

 

                                                                  Pedro Moreira - LMC    

Quem são os Leigos Missionários Combonianos

Os Leigos Missionários Combonianos (LMC) são cristãos que vivem a sua vocação baptismal no ambiente familiar, escolar, profissional e eclesial em que estão inseridos, e sentem o chamamento a viver segundo um carisma específico: o carisma comboniano.

Os elementos dos LMC vivem uma experiência de comunhão com a Igreja em geral e com os membros da Família Comboniana em particular, salvaguardando sempre a autonomia de cada pessoa e de cada grupo.

Os LMC qualificam a sua vida com os valores da espiritualidade comboniana, tornando-se no mundo profetas do amor e servidores da reconciliação e assumindo as atitudes consequentes da oblação, disponibilidade, cordialidade e da vida entregue pela causa dos mais pobres e abandonados segundo o estilo missionário de Comboni.

Seguem um caminho formativo de aprofundamento da vida cristã e da espiritualidade comboniana. Para isso, ao longo deste itinerário formativo, são acompanhados pessoalmente e em grupo. Deve ser dada sempre a devida atenção a este caminho e às exigências de cada pessoa e de cada grupo em formação.

Comprometem-se a servir os homens de hoje e a colaborar na missão própria do carisma comboniano, sempre com um grande sentido de acolhimento e de solidariedade:

  • Identificados do ponto de vista profissional e socialmente inseridos: ter a aptidão julgada necessária para a tarefa profissional ou de evangelização que lhe seja confiada;
  • Fé amadurecida e motivações evangélicas;
  • Vocação clara para a missão ad gentes;
  • Possibilidade concreta e disponibilidade de um compromisso no serviço missionário por um período de pelo menos dois anos;
  • Abertura e capacidade de diálogo e de colaboração com as pessoas, religiões e culturas diferentes; capacidade de trabalho em equipa.

A província portuguesa dos Missionários Combonianos responsabiliza-se pelo acompanhamento formativo dos candidatos, disponibilizando uma pessoa para este trabalho. Dispõe de uma casa como ponto de referência e tem transporte assegurado. Nenhum LMC durante o seu serviço nas missões ou quando se encontre em formação, terá direito a um salário por parte do Instituto, a não ser que haja um contrato de trabalho que especifique esse compromisso entre ambas as partes.

Para mais informações consulte o blog dos Leigos Missionários Combonianos. Espaço onde pudera encontrar o programa formativo, as actividades do movimento e respectivos projectos.

 

Informações:

 P. Paulo Emanuel

Missionários Combonianos

Areeiro

3030-168 COIMBRA

Tel. 239 701 171

lmc@combonianos.pt

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