PJuvenil Multimédia Palavra de Deus Oração em Missão Antigos Alunos

» Favoritos

» Recomendar

» Imprimir

» Fale Connosco

Revista Além-mar Revista Audácia Jornal Família Comboniana Exposição Missionária Virtual Facebook RSS
Indique o seu e-mail:
Utilizador:
Password:
 

Família Comboniana

Voltar ao arquivo de Família Comboniana

II Sínodo para África

 

Mais de 220 bispos africanos, reunidos em Roma de 4 a 25 de Outubro, para o II Sínodo sobre África entregaram ao papa propostas para uma Igreja mais activa na justiça, paz e reconciliação do continente.

 

Na missa inaugural do II Sínodo dos Bispos para a África no dia 4 de Outubro, na basílica de S. Pedro, em Roma, o Papa Bento XVI deixou, quanto a mim, uma mensagem desinquietadora na homilia que proferiu. O papa apresentou o continente africano como um «imenso pulmão espiritual para toda a humanidade», mas que pode vir a sofrer de duas doenças, o «materialismo prático» e o relativismo, por um lado; e por outro, o «fundamentalismo religioso».

Com origem no Ocidente, o «materialismo prático» rejeita Deus no dia-a-dia das pessoas e relativiza os valores. A troco da pouca ajuda económica que vai dando a África, o Ocidente impõe a sua ideologia cultural, social e política, naquilo que os bispos africanos denunciam de «neocolonialismo ideológico». Neste momento, África está invadida de instituições patrocinadas pela Europa e Estados Unidos que promovem o aborto. Num continente de pessoas profundamente religiosas e amantes da vida, estas ideologias estrangeiras são deveras estranhas e contraproducentes à cultura e sociedade dos povos africanos.

 

CONTRIBUTO DA IGREJA

O outro «vírus» sublinhado pelo pontífice é o «fundamentalismo religioso», que, segundo ele, é fomentado por interesses económicos e políticos, que tendem a desestabilizar as relações entre as pessoas, criando situações de conflito entre as várias crenças religiosas. O objectivo é sempre criar caos para poder usufruir das riquezas naturais do continente.

Este II Sínodo dos Bispos Africanos acontece 15 anos depois do I Sínodo realizado em 1994 também em Roma. De lá para cá fizeram-se muitos progressos na Igreja e na sociedade, com o fim de muitos conflitos e com a Igreja a assumir um papel mais profético e a contribuir para a paz. Contudo, não devemos estar demasiado optimistas, como alerta um bispo africano, porque ainda há muito trabalho pela frente.

Com o tema «a Igreja ao serviço da reconciliação, paz e justiça», este segundo sínodo pretende dar uma nova pujança à Igreja em África no seu contributo para a reconciliação entre as etnias e raças do continente. Há ainda muitas feridas por sarar na convivência entre os povos, e muitos problemas por solucionar, como a pobreza, a fome, a sida, conflitos étnicos, alterações climáticas, refugiados, etc. A Igreja está numa posição privilegiada, pela sua proximidade com as populações e pelo seu empenho a favor do perdão, da paz e da justiça, para prestar uma valiosa contribuição para uma África mais justa, fraterna e desenvolvida.

 

PROPOSTAS

No final do sínodo, os bispos africanos elaboraram uma lista de 57 propostas, que entregaram ao papa, a partir das quais ele irá escrever um documento que deverá orientar a Igreja na África nos próximos anos. Entre as propostas destacam-se o diálogo inter-religioso, em especial com o Islão, a degradação do meio ambiente, a necessidade de democracia em África e a atenção à emigração. A paz e a reconciliação, que foram o tema geral do sínodo, percorrem as diversas propostas do sínodo. Os participantes no sínodo pedem um tratado internacional sobre o tráfico de armas e apelam ao perdão da divida externa. Propõem também que os recursos naturais do continente sejam geridos a nível local, sem a exploração das multinacionais.

Pe. António Carlos