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ETIÓPIA
Início do terceiro milénio O dia 12 de Setembro de 2007 marcou para a Etiópia a transição oficial para o terceiro milénio. O ano 2000, portanto, na Etiópia chegou com quase oito anos de atraso relativamente ao resto do globo que segue o calendário gregoriano, porque este país é o único que conserva o uso do calendário juliano, em base ao qual o nascimento de Jesus se deu precisamente faz agora 2000 anos. O governo etíope de Meles Zenawi transformou com habilidade as celebrações do novo milénio numa ocasião irrepetível para relançar na cena internacional a imagem de um país em grande desenvolvimento e para recuperar um consenso que nos últimos anos – sobretudo na sequência das contestadas eleições políticas de 2005 – diminuiu de forma preocupante. A decisão de libertar, nos meses precedentes às celebrações do novo milénio, os membros mais autorizados do maior partido da oposição, a Coligação para a Unidade e a Democracia (CUD), e depois deles, quase 18.000 outros prisioneiros de todos os estados da federação etíope, foi uma manobra política acolhida com grande agrado por todos. O esforço que caracterizou as celebrações civis do milénio tanto na capital como nas diversas cidades e regiões do país, foi acompanhado por numerosas iniciativas em campo religioso e eclesial. As Igrejas ortodoxa, católica e protestante focalizaram a sua atenção mais do que nos aspectos profanos das celebrações, na proposta a todas as comunidades cristãs de viver o alvorecer do novo milénio como um verdadeiro jubileu de agradecimento. As intervenções das autoridades religiosas das diversas Igrejas enfatizaram os temas típicos do jubileu que remontam à experiência do povo de Israel no Antigo Testamento: um ano de graça, de misericórdia, de solidariedade, de reconciliação, de justiça social e redistribuição dos bens e de libertação das cadeias da opressão. Precisamente neste mesmo sentido, também a libertação dos prisioneiros mencionada precedentemente foi interpretada pelas Igrejas como um gesto ‘jubilar’ da parte do governo. O Gabinete da Comissão de Coordenação para as celebrações do Milénio da Igreja Católica (NMCO) expressou muito bem na sua mensagem de felicitações o espírito que todas as Igrejas e também as autoridades religiosas muçulmanas da Etiópia partilharam. Nela se lê: «A celebração do Jubileu do ano 2000 e do Novo Milénio não nos deve fazer esquecer a realidade de muita da nossa gente: milhares de etíopes estão ainda deslocados ou refugiados nos países limítrofes; milhões vivem ainda na pobreza e passam fome. Muitíssimos sofreram injustamente e foram vítimas inocentes. Muitos são os que não têm casa. Um grande número não tem ainda acesso a serviços básicos como educação, cuidados médicos, água potável, transportes, etc. Muitos perderam os seus entes queridos por causa da trágica pandemia da SIDA e milhões vivem sem se poderem tratar do vírus que os atingiu». Portanto, enquanto NMCO, auspiciamos que a aurora do Novo Milénio estimule as Igrejas a trabalhar para que seja colmatada a grande diferença social entre a população, promovendo a unidade do país. Celebrações litúrgicas prolongadas, cheias de cor, de gestos e de símbolos jubilares foram organizadas pelas diversas Igrejas. Particularmente intensas e muito participadas as que foram organizadas em Addis Abeba pela Igreja ortodoxa na vigília do Ano Novo com a presença do Patriarca Abune Paulos e de muitos bispos, sacerdotes, diáconos, cantores e fiéis que em clima de oração viveram uma vigília bíblica que se prolongou pela noite dentro e iluminada pelas centenas de velas distribuídas a todos os participantes. Uma liturgia em que o canto tradicional do wazema, a lenta salmodia em língua ghe’ez e as orações em forma de ladainha criaram uma atmosfera de intensa espiritualidade. A celebração eucarística oficial do milénio por parte da Igreja católica teve lugar domingo 16 de Setembro. Presidida pelo arcebispo metropolita de Addis-Abeba, Abune Berhane Yesus Surafiel, acompanhado pelos bispos das dioceses, dos vigários e das prefeituras apostólicas da Etiópia, contou com a participação de um grande número de agentes pastorais religiosos e de fiéis provenientes de todo o país. Momento intenso e comovente foi a entrega aos representantes das dez jurisdições eclesiais do país de outros tantos Crucifixos grandes esculpidos segundo o modelo original, da autoria de um artista de Addis-Abeba, que fora benzido pelo Papa no recente Encontro dos jovens em Loreto, e levado novamente para a Etiópia por Dom Abune Musè Gebreghirogis, bispo de Emdebir, uma das dioceses etíopes. Os crucifixos passarão de paróquia em paróquia numa peregrinação que se prolongará por todo o ano jubilar, sublinhando a vocação de cada cristão a tornar-se instrumento de paz, de reconciliação, de justiça, de perdão e de amor até à entrega da própria vida, a exemplo de Jesus Cristo. A oração elevada por todos é que finalmente tanto a Etiópia como o Corno de África e todo o continente possam gozar daquela paz que até hoje permaneceu um grande sonho por realizar. (P. Giuseppe Cavallini, mccj)
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