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21 maio 2019

A menina que vê com o coração

Tempo de leitura: 3 min
Marcela nasceu cega. Tem 9 anos. Nunca viu as cores de um jardim florido ou o pôr-do-sol... Mas conhece bem o sorriso dos seus pais e o abraço dos seus amigos, pois é muito querida e amada.
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Como qualquer criança, Marcela gosta de brincar e de bonecas, bicicletas, barcos, música, piscina e muito mais.

E, também como todas as crianças, precisou de ajuda para adquirir confiança e aprender coisas novas.

Graças ao amor da família, da professora e das colegas, a cada dia que passa, ela desenvolve novas habilidades.

Neste texto, ela relata o dia em que concretizou o sonho de ser bailarina de ballet:

«Olá! O meu nome é Marcela. Tenho 9 anos e hoje é um dia muito, muito, muito especial para mim! É que eu estudo ballet e daqui a pouco vou apresentar-me pela primeira vez. A minha mãe disse que estou linda! A minha fantasia é de borboleta e a música que eu vou dançar faz-nos sentir como se estivéssemos a voar!

Eu sei que a plateia está cheia, pois posso ouvir muitas pessoas a movimentar-se, a conversar. São os nossos pais e amigos que vieram assistir à nossa apresentação.

Eu nunca tinha estado num lugar com tanta gente! E, imaginem, todos vão ver-me dançar!

Há um ano, quando pedi à minha mãe que me inscrevesse numa academia de dança, todos acharam estranho.

Mas a música é tão maravilhosa e faz-me sentir tão bem, que ela concordou de imediato.

A minha professora é muito especial. Ela apresentou-me às outras crianças, explicou-lhes como me poderiam ajudar a ser uma bailarina e hoje elas são as minhas melhores amigas...

No mês passado, quando eu perguntei o que era uma borboleta, as minhas amigas trouxeram muitas para mim. Pousaram as borboletas nas minhas mãos, fizeram com que eu sentisse as suas asas delicadas e depois ajudaram-me a soltá-las... E eu sei que elas voaram para longe, felizes e livres.

Eu sei disso porque há coisas muito especiais que só se veem com o coração: a felicidade das borboletas, por exemplo. E outras crianças especiais, como eu, que veem tudo com o coração.

E eis que chega a nossa vez. Eu e minhas amigas vamos entrar no palco e dançar a dança das borboletas, a mesma que elas dançaram, quando nós as soltamos.

Eu só queria que todas as pessoas que estão na plateia pudessem sentir o que eu sinto: mesmo sem poder ver com os olhos, posso vislumbrar a felicidade no coração de cada uma de nós, um sentimento tão especial que é capaz de nos fazer voar, livres como borboletas.»

 

História contada pela professora Telma Régia Soares Bezerra, de Crateús (Ceará), Brasil, no blogue «Contar e Encantar».

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EDIÇÃO
Julho-Agosto 2019 - nº 576
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