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31 março 2024

Um caminho de oração e gratidão

Tempo de leitura: 6 min
O padre Moisés Albarina, missionário comboniano originário das Filipinas, partilha a sua história vocacional e as alegrias e desafios do seu trabalho evangelizador no Quénia e no Vietname.
P. Moisés Albarina
Missionário comboniano
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O padre Moisés Albarina durante a celebração da ordenação dicaconal na paróquia de Kacheliba, entre os pastores pokots, perto da fronteira entre o Quénia e o Uganda

 

Sou o padre Moisés Albarina, originário de Zamboanga, no Norte das Filipinas. Sou o último de 14 irmãos. Licenciei-me em Contabilidade na Universidade Estatal de Mindanau, em Marawi City. Trabalhei no Katipunan Bank, na minha província natal, durante quase um ano, e depois no Quatrolube Philippines, em Valenzuela City, durante quatro anos.

Um dia, encontrei-me e falei com o animador vocacional comboniano, o padre Marnie Cuarteros, depois da missa do velório do seu primo, que por acaso era primo afastado do meu cunhado, em Caloocan City. Deu-me um exemplar da World Mission, revista que os Missionários Combonianos editam nas Filipinas e distribuem na Ásia, para assim poder conhecer melhor o instituto e a vida missionária. Desde então, o padre Marnie Cuarteros acompanhou-me no meu caminho vocacional e convidou-me a participar na adoração eucarística mensal e no encontro vocacional no Seminário São Daniel Comboni de Quezon City. Efectivamente, a oração constante é necessária para um bom discernimento vocacional.

Decidi entrar no seminário em 2005. Graças a Deus fui aceite, apesar de ter quase 27 anos. Fiz os meus dois primeiros anos de postulantado, a primeira fase de formação para a vida missionária e religiosa, durante os quais me licenciei em Filosofia no seminário da Missão Cristo Rei. Em 2007, entrei no noviciado, um tempo de oração, formação intensa e vida comunitária. Desde então, estou convencido de que o meu «sim» ao chamamento de Deus é também um «sim» para prestar um serviço extraordinário a Ele e ao seu povo em qualquer lugar do mundo aonde seja enviado.

Caminhos missionários

Acredito que o Senhor da missão, que me chamou a segui-Lo, é o mesmo que me tem guiado e sustentado ao longo destes anos. Fiz os meus primeiros votos a 7 de Junho de 2009 em Quezon City. Dois meses depois, fui enviado para o centro internacional em Nairobi, no Quénia, para os estudos teológicos, que completei em 2012 no Jesuit’s Hekima University College. Depois disso, passei um ano de serviço missionário na paróquia de Kacheliba, entre os pastores pokots, perto da fronteira entre o Quénia e o Uganda. Nessa missão fiz os meus votos perpétuos e fui ordenado diácono em Julho de 2013.

Durante o meu ministério diaconal em Kacheliba, senti-me mais profundamente apaixonado pela Palavra de Deus, especialmente ao dirigir o serviço de oração (ibada, na língua suaíli) na igreja, nas capelas e nas nossas escolas. Tentei transmitir a todos a mensagem sempre inspiradora de Deus. Era um desafio usar o suaíli ou a língua tradicional pokot.

Testemunhei a fé dos poucos, mas alegres e activos católicos, com os seus cânticos litúrgicos, danças e saltos. Fiquei também deslumbrado ao ouvir a liturgia africana com o bater ruidoso dos tambores, o tocar das guitarras e das kayambas (instrumento de percussão feito com canas, no interior das quais se colocam pequenas pedras ou sementes). Houve também momentos comoventes de matembezi, as visitas e orações nas casas. Acima de tudo, fiquei sensibilizado com a participação activa dos jovens nas aulas de catequese, nos períodos do Advento e da Quaresma, e nas actividades litúrgicas do Natal e da Páscoa. Agradeço a Deus por tantas recordações bonitas que tive com eles.

Cheguei de férias à minha terra natal no dia de Ano Novo de 2014 e preparei-me imediatamente para a minha ordenação sacerdotal. Foi no dia 10 de Março de 2014, na minha paróquia, onde já tinha sido baptizado e crismado, e onde mais tarde me tornei sacristão, catequista, membro da Legião de Maria e do movimento Single for Christ. Foi um dia significativo em que o meu coração se encheu de amor, alegria e gratidão a Deus e a todos aqueles que, de uma forma ou de outra, fizeram parte do meu percurso de vida.

 

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O padre Moisés Albarina durante a sua ordenação sacerdotal no ano de 2014

 

Missão na Ásia

Dois meses depois, foi-me pedido que trabalhasse na nossa Delegação da Ásia, especialmente na promoção vocacional e formação dos jovens. Além disso, ensinei inglês a alguns jovens estudantes, acompanhando-os no seu discernimento vocacional. Juntamente com eles, e através da oração, aprendi que podemos ser mais dóceis aos estímulos do Espírito Santo para sermos corajosos no presente e no futuro.

Agradeço a Deus por estas experiências missionárias desafiantes, mas emocionantes. Aprendi muitas lições valiosas. Guardarei no meu coração de peregrino estes rostos e acontecimentos maravilhosos da missão. Como dizia o nosso fundador e meu melhor amigo vivo no céu, São Daniel Comboni: «O mais feliz dos meus dias será aquele em que eu puder dar a minha vida por vós.» Do mesmo modo, é para mim uma grande alegria oferecer a minha vida ao serviço da missão ad gentes [missão às nações, entre aqueles onde o Evangelho ainda não chegou].

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