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20 setembro 2019

Togo: Vidas a reconstruir

Tempo de leitura: 9 min
No Centro Kekeli, uma comunidade de mulheres consagradas acolhe e acompanha jovens mães, algumas ainda crianças, vítimas de abuso sexual e violação. Crimes que muitas vezes ficam impunes.
Di Matteo Fraschini Koffi
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Afua e Cécile têm pouco mais de dez anos de diferença. São duas crianças. Afua, a mãe, acabou de fazer 12 anos e Cécile, a sua filha, tem quatro meses. Ambas são um sintoma de um flagelo sério que fere a sociedade do Togo. Afua foi violada. O responsável é um taxista, seu vizinho. Depois de se ter cruzado com ela na rua uma noite, o homem convenceu-a a entrar no carro. Bastaram alguns minutos para que a trancasse no banco de trás e abusasse dela: «Não deves dizer nada a ninguém, senão os espíritos maus vão vingar-se na tua família», intimidou-a ele antes de a deixar à frente da casa.

Durante várias semanas, Afua não falou. Entretanto, as dores da gravidez tornaram-se cada vez mais fortes. Quando o médico a examinou, quase não acreditou. A vítima só contou a violação após esta visita. O pai disse ao agressor que chamou a polícia. O homem, porém, escapou sem nunca mais ser visto. «Foi muito difícil dar uma notícia como esta» – explica Sylvain Sourma, assistente social do Centro Kekeli, uma associação católica que opera em diferentes partes da África. «Como se pode dizer aos pais que a sua menina está grávida?»

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EDIÇÃO
Outubro 2019 - nº 695
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