
O historiador Charles A. Frazee dizia que a palavra «paraíso», com origem na antiga língua persa (pairi-daÄza), foi adoptada pelos cristãos como sinónimo de Céu. Porque só a inimitável beleza dos jardins reais, sobretudo o de Pasárgada, construído pelo xá, aqueménida e ecuménico, Ciro, o Grande (550-330), podia descrever a «felicidade celestial».
Hoje, na República Islâmica do Irão, a palavra que melhor descreverá o estado de alma dos cidadãos talvez seja duzakh – «inferno». Porque em quase meio século de uma opressiva teocracia, nunca viveram uma crise política, económica, social e moral tão profunda, agudizada pelo «pior massacre», cometido em Janeiro, durante manifestações pacíficas. Difícil de apurar, o balanço de vítimas oscila, consoante fontes credíveis1, entre 7000 e mais de 30 mil mortos (incluindo centenas de crianças), além de outros milhares de feridos e prisioneiros.
