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06 março 2026

Cristãos do Irão: À espera que as portas se abram

Tempo de leitura: 46 min
Na República Islâmica, são muitos os que se convertem ao Cristianismo, apesar de perseguidos. A minoria católica continua a ser o que o Papa Francisco designava uma «Igreja de 0,...%» mas, como diz o primeiro cardeal de Teerão-Isfahan, é «manter uma presença» que seja «um convite para entrar».
Margarida Santos Lopes
Jornalista
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O historiador Charles A. Frazee dizia que a palavra «paraíso», com origem na antiga língua persa (pairi-daēza), foi adoptada pelos cristãos como sinónimo de Céu. Porque só a inimitável beleza dos jardins reais, sobretudo o de Pasárgada, construído pelo xá, aqueménida e ecuménico, Ciro, o Grande (550-330), podia descrever a «felicidade celestial».

Hoje, na República Islâmica do Irão, a palavra que melhor descreverá o estado de alma dos cidadãos talvez seja duzakh – «inferno». Porque em quase meio século de uma opressiva teocracia, nunca viveram uma crise política, económica, social e moral tão profunda, agudizada pelo «pior massacre», cometido em Janeiro, durante manifestações pacíficas. Difícil de apurar, o balanço de vítimas oscila, consoante fontes credíveis1, entre 7000 e mais de 30 mil mortos (incluindo centenas de crianças), além de outros milhares de feridos e prisioneiros.

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EDIÇÃO
Março 2026 - nº 766
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