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21 novembro 2019

Sinal do amor de deus

Tempo de leitura: 6 min
No Sudão do Sul, a irmã Joana Carneiro presta o seu serviço como médica missionária, testemunhando a ternura de Deus com os mais pobres e ajudando-os a ter uma vida melhor.
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A Irmã Joana Sofia Carneiro é originária da paróquia da Póvoa de Santo Adrião e Olival de Basto (Lisboa). Nasceu no seio de uma família católica e desde sempre esteve envolvida nas diversas actividades paroquiais. Durante os anos de estudo começou a crescer nela o desejo de ser médica. «O gosto pelo estudo e sobretudo pela arquitectura do organismo humano motivaram a que me empenhasse para alcançar este objectivo. E, nesse momento, quando consegui entrar na Faculdade de Medicina, pensei que tinha alcançado o que Deus queria para mim e considerei a medicina como a minha vocação primordial. Contudo, Deus sonha sempre mais alto para cada um de nós e desejava, para mim, algo mais belo, mais radical, mais abundante», refere a missionária comboniana.

 

Caminho missionário

Quando ainda estudava na universidade, a irmã Joana conheceu as Missionárias Combonianas. «O que me cativou mais foi a profunda alegria que transmitiam quando falavam da sua vida partilhada com os mais pobres. Se, ao princípio, esta vocação missionária me pareceu longínqua e inalcançável, a presença destas irmãs fez-me questionar muito a coerência com que vivia a minha fé cristã.»

«Após anos intensos de procura, senti que Deus me chamava a comprometer-me mais seriamente com o meu projecto vocacional. E assim, sentindo fortemente o chamamento a ser missionária comboniana, uma vez terminado o curso de Medicina, comecei as etapas de formação religiosa», refere a irmã.

Convencida da sua decisão, a irmã Joana viajou para Granada, Espanha, para ingressar no Postulantado – a primeira etapa de formação para a vida consagrada e de contacto com a forma de vida orante, comunitária e apostólica de uma missionária comboniana. Em seguida, para fazer o Noviciado, teve de deixar o continente que a viu nascer e partir para o Equador, na América do Sul. Transcorridos dois anos, fez a sua consagração religiosa e viajou para a Escócia para melhorar o inglês e, posteriormente, para a Jordânia, para aprender a língua árabe. Nesse país fez uma «bela experiência de encontro com a realidade dos refugiados e migrantes que lá se encontram, fruto das inúmeras guerras que ainda se travam na região que é considerada Terra Santa pelas três principais religiões mundiais: Judaísmo, Islamismo e Cristianismo».

Depois do tempo dedicado ao aperfeiçoamento da língua árabe, a irmã Joana viajou para o Sudão do Sul.

 

Sinais da Ressurreição

A irmã Joana encontra-se há pouco mais de um ano em Wau, uma pequena cidade do Sudão do Sul. O seu principal apostolado é o serviço alegre e dedicado no campo da saúde. De facto, as Irmãs Missionárias Combonianas são responsáveis pela administração de dois hospitais diocesanos – Nzara, próximo de Yambio, e Wau.

O Sudão do Sul, o país mais jovem do mundo, tem atravessado momentos de grande tensão por causa dos conflitos tribais e devido a todos aqueles que, aproveitando-se da situação, levam as riquezas do país, nomeadamente as petrolíferas, abandonando-o às lutas internas com graves consequências para todo o povo.

«Os que mais sofrem são sempre as crianças e as mulheres. Como gostaria que vissem os seus rostos! Cada pessoa precisa de ser acompanhada com muito cuidado e amor, na esperança que um dia possamos dar melhores notícias deste país, infelizmente sempre associado às guerras, aos conflitos, às tensões, aos refugiados e aos mortos», comenta a irmã Joana.

No desempenho do seu labor quotidiano a irmã lembra a atitude do Papa Francisco, que nos «deu o mesmo poderoso e interpelante exemplo de Jesus ao beijar os pés do presidente do Sudão do Sul e de outros membros da oposição: aqueles que têm autoridade devem servir, ao ponto de lavar e beijar os pés dos mais pobres, dos mais pequenos, pelo simples facto de serem nossos irmãos e irmãs». É esse exemplo, refere a religiosa, «que me sinto chamada a imitar em cada dia tratando cada pessoa que chega ao nosso hospital, necessitada de todo o género de cuidados».

As condições em que a missionária trabalha são precárias e, por isso, «enfrenta-se com grande dificuldade em oferecer as condições para um melhor serviço médico». No entanto, «com a ajuda de Deus vamos caminhando, dia após dia, procurando aliviar o sofrimento permanecendo junto da Cruz como Maria, a Mãe de Jesus. Por isso – sublinha a irmã Joana –, os pequenos sinais de ressurreição são muito importantes. O mistério da fé que celebramos todos os dias é um convite a prestar atenção aos pequenos sinais de vida, pois são os pequenos e subtis sinais que apontam para a possibilidade da Vida nova». 

 

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EDIÇÃO
Dezembro 2019 - nº 697
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