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22 junho 2020

Um continente sem imunidade

Tempo de leitura: 12 min
Da emergência de novos ao ressurgimento de velhos organismos patogénicos, África não tem sido poupada aos muitos vírus, bactérias, parasitas e fungos que afligem a humanidade. Esta é uma cronologia de epidemias e pandemias que afectaram e/ou infectam quase todos os Estados regionais.
Margarida Santos Lopes
Jornalista
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Cólera (1852-1860) | (1910-1911) | (1961-)

Intermitente desde o início dos anos 1800, foi em 1852-1860 que ocorreu a terceira e mais letal das sete epidemias de cólera. Tal como a primeira e a segunda, proveio da Índia. Através do rio Ganges chegou ao resto da Ásia, à Europa, à América do Norte e a África, matando um milhão de pessoas. Ligada directamente ao saneamento básico e à higiene, a cólera é uma infecção do intestino delgado causada pela bactéria Vibrio cholerae e transmitida pela ingestão de água e alimentos contaminados ou por contaminação fecal-oral. Em 1910-1911, foi igualmente assolador o sexto surto de cólera, também originário da Índia. Matou aqui mais de 800 mil pessoas, antes de se espalhar pelo Médio Oriente, Norte de África, Europa de Leste, Rússia e EUA (onde em 1911 foi erradicada). Em 1961, mais um surto de cólera proveniente da Indonésia disseminou-se, ao longo de uma década, por outras regiões da Ásia, Médio Oriente e África, e ainda hoje continua activa. Nos anos 1990, pela primeira vez num século, chegou à América do Sul. Em 2008-2009, no Zimbabué, causou mais de 4000 mortos. No Haiti e no Iémen, infectou mais de meio milhão de pessoas. Todos os anos, segundo a OMS, há três a cinco milhões de casos de cólera, doença que permanece endémica em cerca de 50 países. As vacinas introduzidas nos anos 1990 não substituem uma melhoria das condições sanitárias. 

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EDIÇÃO
Julho 2020 - nº 704
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