Artigos
12 julho 2020

Em nome da terra

Tempo de leitura: 5 min
O essencial da questão indígena na América Latina, a terra, pode dar passos importantes até 2030. Basta que os Estados reconheçam os direitos ancestrais dos seus povos originários – fiéis guardiães da agro-biodiversidade – e se libertem da teia de interesses que a trazem adiada. Vão fazer isso?
Fernando Sousa
Jornalista
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Para os povos nativos, a terra está no centro das suas vidas, é a sua respiração, o seu estado de alma, é dela que tudo parte e torna; daí a permanente conflitualidade entre as comunidades despojadas e os que chegaram depois e preferem a apropriação à partilha.

Encoberta por outros dramas, como a covid-19, a terra continua a ser para os povos nativos da América Latina e das Caraíbas o maior deles. O mais antigo. E o mais letal. Segundo um estudo da Comissão Económica para a América Latina (CEPAL) e o Fundo para o Desenvolvimento dos Povos Indígenas da América Latina e das Caraíbas, subsistem cobertos pela selva ou às claras 1223 conflitos territoriais na região opondo comunidades indígenas e explorações mineiras e de hidrocarbonetos, e outras, que resultam quase sempre em repressão, criminalização e vítimas. Só entre 2015 e o primeiro semestre de 2019 foram assassinados 232 activistas indígenas defensores dos seus direitos – quatro por mês.

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EDIÇÃO
Julho 2020 - nº 704
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