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04 janeiro 2021

Filipinas: O Nazareno Negro

Tempo de leitura: 8 min
Nas Filipinas, a devoção à imagem centenária de Jesus Cristo, Senhor dos Passos, de madeira escura, é única no mundo.
Celia M. Bonilla
Professora da Universidade Pública (UP) de Manila
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A devoção dos Filipinos ao Nazareno Negro começou de forma acidental: de acordo com uma tradição popular que cita as Crónicas de la Provincia de San Gregorio, escritas por Frei Juan San Antonio, a imagem do Nazareno Negro chegou às Filipinas, procedente do México, a 31 de Maio de 1606, durante a época do Comércio do Galeão (1565-1815). Os relatos populares dizem que, quando um galeão encalhou no México devido ao mau tempo, os seus oficiais e tripulantes (espanhóis e filipinos) oraram numa igreja onde estava o Nazareno Negro. Mas como foi difícil convencer a tripulação a navegar de volta pelo oceano Pacífico, o capitão pediu ao pároco da igreja que permitisse aos seus homens levarem a estátua de Cristo, em tamanho natural, a carregar a cruz, para que se sentissem divinamente acompanhados durante as tempestades e perigos do oceano.

Foram dez ou mais frades da Ordem dos Agostinianos Recolectos (OAR) que zelaram pelo Nazareno Negro na viagem. Quando chegaram ao porto filipino de Cavite, os agostinianos só pensavam em abrigar a estátua no que seria o seu primeiro território de evangelização naquele território asiático, onde atracavam os galeões e onde o comércio era intenso. Mas quando levaram a imagem para Manila, o primeiro nicho que lhe deram foi numa igreja dedicada a São João Baptista, em Bagumbayan (hoje Luneta), perto de Intramuros, do outro lado do rio Pasig. Dois anos depois, a imagem foi transferida para a maior igreja OAR dentro dos muros de Manila.

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EDIÇÃO
Janeiro 2021 - nº 709
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