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16 maio 2019

África: A nova colonização chega de comboio

Tempo de leitura: 13 min
A China ressuscita o projecto europeu de traçar uma via-férrea que ligue o Cairo à Cidade do Cabo. Um projecto titânico que entre 2000 e 2014 recebeu 10 mil milhões de dólares de financiamento por parte da potência asiática.
Carolina Valdehíta
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A revolução industrial mudou a forma de transportar mercadorias e pessoas na Europa, tornou evidente que o progresso estava estreitamente ligado à ferrovia. Após o êxito no Velho Continente, os colonos europeus rapidamente chegaram à conclusão de que África precisava de se dotar de vias-férreas para transportar com eficácia e rapidez as cobiçadas matérias-primas e a produção das plantações. Mas não apenas isso, o comboio ajudaria também a comunicar os seus domínios, facilitar a gestão política e manter as possessões. Neste sentido, o projecto mais ambicioso era o de completar uma infra-estrutura que fizesse a comunicação dos domínios-chave britânicos: Cidade do Cabo (África do Sul) e a capital do Egipto, Cairo.

A ideia foi impulsionada por Cecil Rhodes, o político britânico cujo ego e obsessão pelo continente o levou a usar o seu apelido para renomear o actual Zimbabué como Rodésia. Contudo, a partilha africana entre as potências europeias, os conflitos regionais, a II Guerra Mundial e as diferenças topográficas entre países impediram que se concluísse o projecto de completar os mais de 10 mil quilómetros que separam ambas as cidades. Não obstante, construíram-se quilómetros de linhas férreas em alguns Estados que continuam em funcionamento nos nossos dias. No Quénia, Uganda, Tanzânia, Zâmbia, Botsuana, Zimbabué, África do Sul e Moçambique existem linhas férreas que transportam mercadorias e pessoas, se bem que em escassas condições de comodidade e uma grande demora no transporte.

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EDIÇÃO
Junho 2019 - nº 692
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