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24 maio 2019

Arábia infeliz

Tempo de leitura: 15 min
O Egipto trocou um ditador por outro. No Bahrain, a família Al Khalifa continua a reinar, com protecção saudita. No Iémen, Abdullah Saleh foi morto e o país morre numa guerra invencível. Na Síria, o tirano Bashar al-Assad recuperou o controlo graças a Russos e Iranianos. Que “primavera” foi esta?
Margarida Santos Lopes
Jornalista
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De origem europeia, o termo “Primavera Árabe” evoca a “Primavera dos Povos” de 1848, a vaga de revoluções que derrubou regimes de França à Suíça, de Itália à Alemanha; a “Primavera de Praga” de 1968, que foi a luta contra o domínio de Moscovo sobre a Checoslováquia; ou a “Primavera da Europa de Leste” de 1989, que fez cair um Estado (a URSS), um império (o Pacto de Varsóvia) e uma ideologia global (o comunismo soviético).

Muitos viram um paralelo entre estas sublevações e as revoltas populares de 2011 que levaram à queda de Zine El Abidine Ben Ali, na Tunísia, de Hosni Mubarak, no Egipto, de Muammar Kadhafi, na Líbia, e de Ali Abdullah Saleh, no Iémen. Muitos esperavam que os islamistas fossem marginalizados e que, numa era de novas tecnologias, o poder ficasse nas mãos de uma nova geração de democratas e seculares. Não foi isso o que aconteceu.

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EDIÇÃO
Julho-Agosto 2019 - nº 693
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