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28 setembro 2022

Unidos pela fé, desunidos pela etnia e pela língua

Tempo de leitura: 13 min
Dos 22 milhões de habitantes do Sri Lanka, só 7% são cristãos. Na sua história entrelaçam-se um passado colonial de quase cinco séculos e as tensões étnico-religiosas do presente. Para entender esta comunidade, falámos com Bernardo Brown, estudioso do Catolicismo na Ásia.
Margarida Santos Lopes
Jornalista
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Em 1948, quando o Ceilão deixou de ser uma colónia da Grã-Bretanha, os católicos da ilha – cingaleses e tâmiles – tinham «uma identidade distinta», que lhes permitia, por exemplo, içar lado a lado as bandeiras do Vaticano e do novo Sri Lanka. Tudo mudou em 1960, assim que o Governo assumiu o controlo das escolas da Igreja. Dois anos depois, em resposta a um alegado reforço da presença de budistas nas Forças Armadas, oficiais católicos e protestantes do Exército organizaram um golpe para derruar o Governo da primeira-ministra, Sirimavo Bandaranaike, e o ressentimento cresceu.

Em 1983, quando o grupo extremista Tigres de Libertação do Eelam Tâmil (LTTE) iniciou uma guerra civil (identitária e cultural, mas não religiosa) para reivindicar uma pátria separada no Norte e Leste, a comunidade católica dividiu-se: os cingaleses tomaram o partido dos militares e da maioria budista; os tâmiles juntaram-se aos rebeldes, predominantemente hindus.

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EDIÇÃO
Dezembro 2022 - nº 730
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