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19 dezembro 2022

O refúgio da educação

Tempo de leitura: 12 min
O campo de refugiados de Dzaleka, inaugurado em 1994 no Maláui para abrigar 12 mil pessoas, acolhe agora mais de 53 mil. Entre todas as carências, estudar é uma das mais prementes. Apesar de metade dos seus habitantes serem menores, a taxa de escolarização mal chega a 40 por cento.
José Ignacio Martínez Rodríguez
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Aos seus 13 anos, Latifa Aziza – uma menina magra, de rosto sorridente e cabelo preso em pequenas tranças – não se lembra da sua vida fora dos limites de Dzaleka. Ela chegou aqui, um campo de refugiados no distrito de Dowa, a cerca de 40 quilómetros da capital do Maláui, Lilongwe, quando ainda era criança e aprendia a pronunciar as primeiras palavras. «Sei que nasci na província de Kivu do Sul, na República Democrática do Congo. Os meus pais contaram-me, mas eu não sei nada sobre aquele lugar. Sempre morei em Dzaleka», diz num inglês correcto. «É a língua que me ensinam na escola. Assim todos podemos entender-nos, embora em casa use o suaíli», acrescenta.

Que Latifa possa ir à escola torna-a uma privilegiada. O campo de Dzaleka, aberto em 1994 para abrigar tutsis e hutus moderados que fugiam do genocídio no Ruanda e pensado para abrigar cerca de 12 mil pessoas, acolhe agora mais de 53 mil e está a crescer a um ritmo de 300 por mês. Um fluxo incessante de pessoas, cerca de metade das quais são crianças. E não há escola para tantas crianças. Segundo algumas ONG, a taxa de escolarização em Dzaleka mal chega a 40 por cento. Perante esta carência, proliferam pequenos projectos locais que são idealizados e executados pelos próprios refugiados e que tentam suprir a alarmante falta de salas de aula e recursos educativos. A escola ACCB, que Latifa frequenta, é um claro exemplo disso.

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Fevereiro 2023 - nº 732
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