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24 abril 2023

Pastoral de proximidade

Tempo de leitura: 5 min
O P. Guerlin-Joachim Biseka, missionário comboniano originário da República Democrática do Congo, conta-nos as suas primeiras impressões do seu trabalho missionário numa paróquia da Costa Rica.
P. Guerlin-Joachim Biseka
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O padre Guerlin-Joachim posa com as famílias depois do baptismo de duas meninas da paróquia onde ele trabalha em São José, Costa Rica

 

Antes de chegar à minha nova paróquia, tive uma longa e paciente espera. Cheguei a Espanha vindo do meu país, a República Democrática do Congo, a 16 de Fevereiro de 2021, dois meses após a minha ordenação sacerdotal. Solicitei várias vezes o meu visto para o Peru, mas este não me foi concedido, pelo que, em Março de 2022, os meus superiores decidiram mudar o meu destino para a América Central e em Novembro pude viajar para a Costa Rica.

Quando cheguei, fui destinado à paróquia de Nossa Senhora da Medalha Milagrosa, situada no Sudoeste do cantão central de São José, a capital deste país da América Central. Foi-me pedido que fizesse trabalho pastoral no conhecido Bairro Cuba, com especial enfoque na pastoral juvenil. Embora a paróquia tenha um agradável ambiente familiar entre os grupos apostólicos, comissões e movimentos, tenho a sensação de que poderia ser mais missionária.

Venho de um país onde a religião, especialmente o Cristianismo, faz parte da vida quotidiana do povo. As igrejas são grandes e estão quase sempre cheias, pelo menos em Kinshasa, a minha cidade. Em contraste, aqui a nossa igreja paroquial é muito pequena e, mesmo assim, não fica cheia. Temos duas missas por dia, uma de manhã e outra à noite, mas poucas pessoas vêm.

Como africano, estrangeiro noutro país e noutro continente, sei que tenho de me adaptar a esta realidade e não fazer demasiadas comparações. Embora eu tivesse um certo medo de não ser aceite, desde o início o povo fez com que este medo se dissipasse. A experiência da catolicidade da Igreja, da sua universalidade, é uma realidade que me surpreende. Os Costa-Riquenhos acolheram-me muito bem. Isto abriu-me a esperança de poder viver este tempo de missão de uma forma intensa.

No Bairro Cuba as pessoas têm muito respeito por Deus, que consideram ser a origem de tudo. «Deus em primeiro lugar», diz o povo, que é muito religioso e com grande devoção aos santos, especialmente à Virgem Maria. Eles acodem diariamente à igreja para o sacramento da reconciliação e nós vamos visitar os doentes e os idosos que precisam da nossa presença.

Aqueles que estão envolvidos na vida da Igreja fazem-no com muito amor, embora haja alguns que se afastaram. Sinto que existe uma grande necessidade de reanimar estas pessoas e acredito que a melhor maneira de o fazer é promover uma pastoral de proximidade, onde possamos falar de coração para coração. As visitas às famílias são muito importantes, as pessoas ficam muito felizes por nos acolherem nas suas casas, partilharem connosco as suas vidas, a sua comida e receberem a bênção de Deus.

As pessoas têm sede da Palavra de Deus e de fazer uma experiência pessoal com Deus. A minha curta prática de evangelização e animação missionária em África está a inspirar-me e a encontrar maneira para atrair as pessoas. A sua generosa resposta encoraja-nos a continuar nessa linha.

 

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O padre Guerlin-Joachim cumprimenta as pessoas ao saírem da eucaristia

  

Generosidade rima com simplicidade

No Natal passado, o primeiro que passei aqui, fiquei surpreendido com a atenção e generosidade dos paroquianos para com as crianças. As paróquias ricas do centro da cidade deram-nos também muitos brinquedos e doces para os mais pequenos do bairro. Mais de 300 crianças, católicas e não-católicas, beneficiaram desta ajuda. Disseram-me que existia um programa chamado «Merenda milagrosa», patrocinado pela Ordem de Malta, que permitia dar alimentos a cerca de 50 crianças. O programa foi suspenso por causa da pandemia, mas temos de o relançar.

A paróquia organiza também as chamadas «feiras paroquiais». Alguns benfeitores que têm terras dão-nos legumes, frutas, farinha, etc. Assim, podemos preparar os alimentos que são vendidos. Os pobres podem comprar a comida muito barata ou até levá-la de graça se não puderem pagar. Isto mostra a generosidade das pessoas mais humildes e simples, que têm um grande coração para ajudar a Igreja e os missionários. O dinheiro angariado nestas feiras é utilizado para pagar as despesas paroquiais. Além disso, na última sexta-feira de cada mês, em colaboração com algumas empresas, é oferecida comida a 45 famílias pobres.

Agradeço ao Senhor porque Ele tem sido bom para mim e enviou-me para uma paróquia que se considera uma grande família. Sinto-me chamado a acompanhá-los tanto espiritualmente como materialmente, e isso faz-me feliz.  

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