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27 junho 2019

Novas arquitecturas africanas

Tempo de leitura: 7 min
A arquitecta Mariam Kamara, do Níger, aposta em modelos de arquitectura mais sustentáveis. Quere-os alicerçados em materiais locais, que satisfaçam as expectativas dos usuários e que libertem de vez os construtores dos complexos de inferioridade perante o que vem do estrangeiro.
Sebastián Ruiz-Cabrera
Jornalista
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A surpresa é enorme ao sobrevoar no avião em rota descendente as grandes cidades africanas, como Lagos, capital da Nigéria. Vêem-se arranha-céus salpicados de casas de dois andares de cimento cinza e casebres com telhado de zinco. Também filas de carros presos no engarrafamento constante que fazem desta cidade um modelo que poderia ser reproduzido em todo o continente: Niamey (Níger), Joanesburgo (África do Sul), Luanda (Angola), Dar es-Salam (Tanzânia), Nairobi (Quénia) ou Kigali (Ruanda) são exemplos disso. A migração do campo para a cidade é uma realidade esmagadora que requer não só soluções práticas e sustentáveis para o aumento da população que vive nesses novos espaços superpovoados, mas também modelos de construção necessários para uma boa convivência.

E é aí que a arquitecta Mariam Kamara, do Níger, entra em cena. «Os arquitectos solucionam problemas com criatividade. Por isso, além de proporcionarmos abrigo básico e espaços comunitários, temos a capacidade de resolver ou aliviar os problemas quotidianos das pessoas», responde por correio electrónico para a nossa redacção desde o Atelier Masomi, em Niamey. Embora Mariam Kamara tenha residência nos EUA, de onde dirige as pesquisas e supervisiona os seus projectos, além de leccionar na Universidade de Brown, o seu foco principal é trabalhar por espaços mais adaptados às comunidades do Níger, o seu país de origem.

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EDIÇÃO
Julho-Agosto 2019 - nº 693
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