Opinião
10 março 2021

Sonhar o futuro da Europa

Tempo de leitura: 3 min
A presidência portuguesa da União Europeia prioriza na sua agenda a implementação do Pilar Social Europeu e as relações com o continente africano
Teresa Rebelo de Andrade
Fundação Fé e Cooperação
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Na carta que o Papa Francisco, em Outubro de 2020, envia ao cardeal Pietro Parolin sobre a Europa, escreve: «Os cristãos têm, actualmente, uma grande responsabilidade: como o fermento na massa, são chamados a despertar a consciência da Europa para animar processos que gerem novos dinamismos na sociedade.»

Numa altura em que Portugal assume a presidência do Conselho da União Europeia, esta carta do papa, em comemoração das relações de longa data entre a Santa Sé e as instituições europeias, revela-se um importante guia de reflexão a todos os portugueses [cristãos e «pessoas de boa vontade» (Fratelli Tutti, 6)] que queiram aceitar a oportunidade de se apropriarem da sua União Europeia e de contribuir para recuperar os sonhos do projecto comunitário que a moldaram, partindo da realidade onde se inserem e que representam.

Sob o lema «Tempo de agir: por uma recuperação justa, verde e digital», acompanhado do mote da Agenda 2030 «sem deixar ninguém para trás», a presidência portuguesa prioriza na sua agenda a implementação do Pilar Social Europeu e as relações com o continente africano, entre outras prioridades – são cinco as linhas de acção prioritárias da PPEU21: Europa resiliente, verde, digital, social e global –, proclamando a abertura ao mundo e prometendo defender as parcerias internacionais que promovam todo o desenvolvimento humano, sobretudo no que diz respeito à saúde, educação e igualdade de género.

Enquanto membros de uma organização católica que procura o desenvolvimento integral da pessoa humana e se move pelo exemplo de Jesus Cristo, o Justo por excelência, chama-nos especialmente a atenção os desejos de justiça e solidariedade que a Europa revela, desde a sua formação, e que esta Presidência tanto procura tornar numa realidade palpável.

Na carta dirigida ao Cardeal Parolin, o Papa Francisco convida-nos a, sem aí prender o olhar, fazer memória dos princípios fundamentais e originários da comunidade europeia, apelando ao seu renascimento e autenticidade: «Volta a encontrar-te. Sê tu mesma», escreve, citando o seu antecessor São João Paulo II. Este é o desafio a que os princípios da justiça, inclusão, solidariedade e luta pela paz permaneçam como fundamento desta União, e não somente como princípios, atravessando assim o tempo e sustentando a comunidade, independentemente do peso das circunstâncias, como as que agora enfrentamos.

Na sua exortação a sonhar o futuro do Velho Continente, o Papa Francisco afirma «a certeza de que a Europa ainda tem muito para dar ao mundo» e apela-nos a não ter medo de tomar parte na responsabilidade conjunta de passar do ideal europeu à realidade de uma Europa que, em memória dos seus fundadores, se reconhece pela sua solidariedade, abertura ao mundo, justiça social e climática. Uma Europa que é lugar de encontro (dentro e fora dos limites europeus), onde todos têm lugar e podem viver em paz. Esse é o sonho. O nosso e o de Deus. 

(Publicação conjunta da MissãoPress)

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