Opinião
03 agosto 2023

Conversão missionária

Tempo de leitura: 4 min
Esta ideia-força de uma conversão missionária terá certamente de ter em conta as práticas pastorais, as relações de igualdade e autoridade e as estruturas da Igreja.
P. José Rebelo
Missionário comboniano
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(© OMP Espanha)

 

Após a interrupção causada pela pandemia de covid-19, voltaremos a ter as Jornadas Missionárias (Fátima 23-24 de Setembro), para as quais todos estão convidados. No rescaldo da Jornada Mundial da Juventude, gostaríamos que as Jornadas Missionárias deste ano tivessem um cunho pastoral e experiencial. A partir do tema da mensagem do papa para o Dia Mundial das Missões, Corações ardentes, pés ao caminho (cf. Lc 24, 13-15), procuraremos partilhar experiências de novas dinâmicas pastorais e missionárias que contribuíram para dinamizar paróquias, comunidades e grupos e que nos possam inspirar como discípulos missionários.

No caminho sinodal que a Igreja está a fazer, este é o nosso contributo para apresentar um pouco do que é feito em Portugal, que possa ajudar-nos a crescer na comunhão, na participação e na missão. Sabendo que a Igreja portuguesa tem uma tradição missionária louvável que tem vindo a perder «gás» rapidamente, o que se pretende com as jornadas e o processo sinodal é uma verdadeira «conversão missionária». O Santo Padre, desde a publicação da sua exortação apostólica Evangelii Gaudium (cf. EG 30), tem vindo a falar da sua necessidade bastante amiúde.

Por exemplo, na mensagem para o Dia Mundial das Missões deste ano, que celebraremos no dia 22 de Outubro, o Papa Francisco diz que «a conversão missionária permanece o principal objectivo que nos devemos propor como indivíduos e como comunidade», porque «a acção missionária é o paradigma de toda a obra da Igreja». Depois diz que «a urgência da acção missionária da Igreja comporta naturalmente uma cooperação missionária, cada vez mais estreita, de todos os seus membros a todos os níveis».

Esta ideia-força de uma conversão missionária, cujo objectivo é fazer evoluir a consciência da comunidade eclesial, terá certamente de ter em conta as práticas pastorais, as relações de igualdade e autoridade e as estruturas da Igreja. O ideal seria começar um processo de reflexão que nos levasse à elaboração de um plano pastoral nacional que iluminasse e facilitasse o trabalho pastoral (tão díspar apesar da pequena dimensão do país) e nos ajudasse a sintonizar com os desafios pontifícios de criar uma Igreja em saída, que não se esqueça a dimensão ad gentes, com a desculpa de que «a missão agora é aqui!»

Do ponto de vista das Obras Missionárias Pontifícias (OMP), há passos a dar no sentido da abertura, cooperação e transparência. Os sinais que poderiam levar-nos nessa direcção são, entre muitos outros, a criação de centros missionários diocesanos, como sugerido pela carta pastoral da Conferência Episcopal Como Eu vos fiz, fazei vós também. Para um rosto missionário da Igreja em Portugal (2010). Pelo menos cada diocese deveria nomear um director diocesano das Missões, disposto a colaborar, e que não tivesse muitos outros afazeres. Que isso não aconteça parece dizer que a questão missionária efectivamente não interessa e, à luz da constituição apostólica Praedicate Evangelium, sobre a reforma da Cúria Romana, em que o Dicastério da Evangelização se torna a prioridade, é cada vez mais difícil de compreender.

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