Aventura da Fé
05 janeiro 2026

Missão nos confins do mundo

Tempo de leitura: 2 min
A missionária irmã Anna Pigozzo, de 38 anos, natural de Noale, Treviso, Itália, autointitula-se peregrina e vive há doze anos, com mais cinco irmãs religiosas da Fraternidade da Transfiguração, na diocese de Bereina, Papua-Nova Guiné.
Mateus Bijóias
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A sua missão é numa zona montanhosa, sem estradas pavimentadas, o que encerra grandes perigos para quem nelas circula. É provavelmente por isso que os papuanos desta área de florestas inexploradas e repleta de inúmeras variedades de aves andam tanto a pé, muitas vezes descalços.

Nação de contrastes

Este país, prestes a celebrar os 50 anos de independência, possui 800 etnias e uma infinidade de línguas, que veiculam tradições milenares e saberes ancestrais. Contudo, apesar da riqueza do património cultural, dos recursos minerais e da fertilidade da terra, a pobreza material é profunda e visível. A corrupção, o crime, a violência e a elevadíssima taxa de mortalidade (nomeadamente entre as crianças), devido à falta de cuidados médicos básicos, fazem com que o paraíso da Papua-Nova Guiné não seja o Céu.

Na verdade, verificam-se aqui imensas dificuldades e contradições. A irmã Anna afirma nunca ter conhecido um papuano que não acreditasse em Deus. No entanto, as rivalidades tribais, os conflitos de clãs, as divisões e os medos de vingança são realidades bem marcadas. Além disto, o ambiente está carregado de superstição e magia, sendo Deus visto como um juiz que pune quem comete erros e a cultura dominada pela suspeita e pela desconfiança.

 

Ser como o semeador

A irmã Anna Pigozzo, enquanto mulher e branca, é olhada pelos papuanos como inferior, estrangeira e inimiga. A missionária, contudo, encara o seu trabalho como o do semeador. E declara: «Buabeni (esperança), apesar de tudo», sublinhando: «Ser missionário significa crer verdadeiramente no poder das pequenas sementes da Palavra de Deus e sair generosamente para semear.» É um desafio enorme – o de caminhar com aqueles irmãos, mas, sobretudo ajudá-los a caminhar juntos –, numa Igreja com pouco mais de 130 anos, que «está a tentar dar um salto importante da primeira evangelização para a segunda».

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EDIÇÃO
Janeiro 2026 - nº 646
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