
Jejum – escolher o essencial
Rita tinha a reputação de ser das melhores alunas. Professores confiavam nela, colegas pediam ajuda, os pais orgulhavam-se. Mas havia uma parte que ninguém via.
Na véspera do teste de matemática, Rita estava bloqueada. A matéria não lhe entrava. O grupo de WhatsApp da turma fervilhava.
— “Tenho as respostas.”
— “Quem quiser mando.”
Rita hesitou. O coração bateu mais rápido. Abriu o ficheiro.
No dia seguinte, fez o teste com segurança — a segurança de quem já sabia tudo.
Quando recebeu a nota, 18 valores, toda a gente aplaudiu.
— “És uma máquina!”
— “Génio!”
Ela sorriu. Mas por dentro sentiu-se pequena.
Na missa de domingo, ouviu o Evangelho das tentações. O padre disse: — “Nem tudo o que nos facilita a vida nos faz bem. Às vezes, o que parece solução é só um atalho que nos desvia de quem somos.”
Rita sentiu um aperto no peito.
Durante a semana, tomou uma decisão: ia jejuar dos atalhos. Nada de copiar. Nada de fingir que sabia o que não sabia. Nada de comparar-se obsessivamente com os outros.
Os primeiros dias foram duros. Sentia-se exposta. Insegura. Numa noite, fechou os cadernos frustrada e chorou.
Mas também começou a acontecer outra coisa: começou a aprender de verdade.
No teste seguinte, teve 14. Menos do que antes. Mas quando saiu da sala, respirou fundo e sorriu.
Pela primeira vez em muito tempo, aquela nota era verdadeiramente dela.
