Aventura da Fé
27 abril 2020

A vida vence a morte

Tempo de leitura: 4 min
A interpretação habitual da narrativa da morte de Lázaro, irmão de Marta e de Maria, aponta para uma postura mais beatífica de Maria e mais mundana de Marta. Todavia, pode haver outras versões…
Maria Mendonça
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O fito de Matilde nesta catequese é o de ensinar os seus jovens a não julgar pelas aparências, mas antes tentar vislumbrar outras hipóteses além do que parece óbvio, sendo que a contextualização é fundamental.

Leem o Evangelho de São Lucas, capítulo 10, versículo 38 e seguintes (Lc 10, 38 ss.) e, também, o Evangelho de São João, capítulo 11, versículos 1 a 44 (Jo 11, 1-44), a fim de compararem os textos com as mesmas protagonistas: as irmãs Marta e Maria. E chegam à conclusão de que, na ótica do primeiro evangelista, a transgressora dos costumes é Maria (que fica sentada a ouvir Jesus, para escândalo de Marta); já para São João, quem transgride é Marta, que, não obedecendo aos costumes do luto, que a obrigavam a ficar em casa, sai ao encontro de Jesus assim que sabe que Ele está a chegar.

– As primeiras palavras que Marta dirigiu a Jesus são de censura, de uma certa acusação contida: «Se estivesses aqui, o meu irmão não teria morrido.» A aflição dela era que Jesus tivesse chegado demasiado tarde. Segundo a crença dos judeus, a alma do defunto pairava à volta do corpo até ao quarto dia, após o que desaparecia irremediavelmente. Portanto, Marta temia que já nada houvesse a fazer pelo seu irmão, dado que morrera havia quatro dias. Ela estava certa da ressurreição de Lázaro no último dia, contudo, no imediato, já não seria possível. Ainda assim, a fé desta mulher fá-la exclamar: «Mas, mesmo agora, eu sei que tudo o que pedires a Deus, Ele te concederá…» – explica Matilde. E desafia os adolescentes a aceder à Bíblia_app para compreenderem melhor o enquadramento do sucedido.

Marta toma a palavra:

– Eu e a minha irmã Maria estivemos juntas apenas no aviso que fizemos a Jesus dando conta de que o nosso irmão estava doente. A partir daí, cada uma de nós viveu a dor de formas bastante distintas. A Maria refugiou-se na conversa de condolências, embrulhou-se no luto; eu, porém, sentia que precisava de reanimar a esperança nos vivos, por isso abandonei aquele lugar da morte para ir ao encontro da Vida, ou seja, de Jesus, que Se aproximava da nossa casa. Com esta atitude, sei que violei duas normas ao mesmo tempo: a da hospitalidade (virei as costas a quem veio visitar-nos) e a do rito fúnebre, tendo sido mal interpretada e muito criticada por isto. E, por mais que sentisse uma certa traição por parte de Jesus à nossa amizade, ao saber da proximidade d’Ele, não consegui ficar mais tempo junto dos que permaneciam na morte. É que a fé move mesmo montanhas: a montanha da tradição, a montanha do tempo, a montanha da morte. 

Pensa nisto

A vitória da vida sobre a morte depende da adesão incondicional à verdadeira fé, que impõe a passagem da mera aceitação doutrinal, impessoal, a uma convicção profunda.

 

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EDIÇÃO
Julho 2020 - nº 587
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