Valores
30 novembro 2025

A Janela da Espera

Tempo de leitura: 1 min
Este conto, correspondente ao Primeiro Domingo do Advento, recorda-nos que neste tempo litúrgico a nossa espera nunca é vazia: é sempre para alguém.
Sérgio Carvalho
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Na aldeia de Sobral do Vento, quase todas as casas passavam o inverno fechadas, como se tivessem medo do frio. Menos uma: a de Helena, a costureira. Todas as noites, ela deixava uma janela entreaberta, com uma lamparina acesa.

— Para quem é essa luz?, perguntavam os vizinhos.

— Para quem precisar, respondia sempre.

Numa noite especialmente gelada, Helena ouviu passos apressados. Era um rapaz desconhecido, com o casaco rasgado e os olhos cheios de medo.

— Preciso de abrigo… só esta noite.

Helena abriu a porta sem pedir explicações. Preparou-lhe sopa, deu-lhe um cobertor e silêncio.

Na manhã seguinte, o rapaz já tinha partido. Mas no lugar onde dormira, Helena encontrou um pequeno papel escrito à mão:

“A tua luz salvou-me da escuridão. Obrigado.”

E a costureira sorriu.

Porque no Advento, a espera nunca é vazia: é sempre para alguém.

 

 

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Conto
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EDIÇÃO
Novembro 2025 - nº 644
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