
Na aldeia de Sobral do Vento, quase todas as casas passavam o inverno fechadas, como se tivessem medo do frio. Menos uma: a de Helena, a costureira. Todas as noites, ela deixava uma janela entreaberta, com uma lamparina acesa.
— Para quem é essa luz?, perguntavam os vizinhos.
— Para quem precisar, respondia sempre.
Numa noite especialmente gelada, Helena ouviu passos apressados. Era um rapaz desconhecido, com o casaco rasgado e os olhos cheios de medo.
— Preciso de abrigo… só esta noite.
Helena abriu a porta sem pedir explicações. Preparou-lhe sopa, deu-lhe um cobertor e silêncio.
Na manhã seguinte, o rapaz já tinha partido. Mas no lugar onde dormira, Helena encontrou um pequeno papel escrito à mão:
“A tua luz salvou-me da escuridão. Obrigado.”
E a costureira sorriu.
Porque no Advento, a espera nunca é vazia: é sempre para alguém.
