Ciência e tecnologia
16 junho 2020

Vida selvagem, bons ares e silêncio nas cidades

Tempo de leitura: 3 min
De um momento para o outro, uma nova doença, a covid-19, causada por um vírus de que antes nunca tínhamos ouvido falar, mostrou-nos que a fronteira entre os aglomerados humanos e a Natureza não estão afinal tão demarcados como pensávamos.
Maria Filomena Silva
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Uma raposa aqui e ali, um ou outro javali mais aventureiro ao cair da noite e sobretudo aves e pássaros de muitas e variadas espécies tornaram-se de repente mais visíveis (e audíveis) nas nossas cidades: falcões e melros, rabirruivos e toutinegras-de-barrete-preto, tentilhões, piscos-de-peito-ruivo, patos e gansos, pintassilgos... Foi pelo pior dos motivos, é certo, mas nesta primavera os animais selvagens, sempre tão arredados dos olhares citadinos, ganharam espaço num território que nos habituámos a considerar exclusivo: as nossas urbes.

Isso tornou-se visível a partir de abril deste ano, quando mais de metade da Humanidade (quase quatro mil milhões de pessoas) se viu obrigada a resguardar-se nas suas casas durante várias semanas, para evitar o contágio do novo coronavírus. Em busca de alimento e, aproveitando um inesperado silêncio das cidades, os animais encontraram um novo território para explorar — e atreveram-se um pouco mais. É a sua natureza.

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Tags
Ciência
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EDIÇÃO
Julho 2020 - nº 587
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