Sala de convívio
09 abril 2022

O médico fantasma

Tempo de leitura: 2 min
Esta breve peça de teatro adapta uma história que tem sido contada de pai para filho na cidade de Belém do Pará, Brasil.
Redação
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Personagens: Narrador, Lucas, Juliana, Gabriel, Camila e velhinho. 

Narrador: Tudo começou numa noite de lua cheia. Quatro miúdos conversavam sentados na varanda da casa de um deles.

Lucas: Acreditas em fantasmas?

Juliana: Eu não!

Gabriel: Acreditas, sim!

Camila: Podem apostar, que eu digo que não. Conheço a minha irmã.

Gabriel: Tudo bem. Aposto a minha bola de futebol que vocês não têm coragem de entrar no cemitério à noite.

Juliana: Ah, é?!... Vais perder, pois vamos já para o cemitério.

Camila: Vamos provar a nossa coragem.

Lucas: Não sei se é boa ideia…

Narrador: E os quatro miúdos vão até a rua do cemitério.

Lucas: O portão está fechado…

Juliana: Há um silêncio profundo…

Gabriel: O luar faz este lugar parecer misterioso…

Camila: Ah, ah, ah! Estás com medo?!...

Gabriel: Não! Para ganhar a aposta, é preciso bater com a mão no portão do cemitério.

Juliana: Primeira! (Corre. Para em frente do portão e faz caretas para os amigos.)

Lucas: Agora vou eu.

Gabriel: E aqui vou eu, também.

Camila: Afastem-se, senão, em vez de bater no portão, bato em vocês, ah, ah, ah!

Gabriel: Socorro! Estou preso. Ajudem-me!

Narrador: Enquanto os miúdos ultrapassavam o espanto e a vontade de rir, eis que aparece um velhinho vindo do fundo do cemitério e abre o portão.

Velhinho: O vosso amigo ficou com a manga da camisa presa no portão e quase desmaiou de medo.

Lucas: Ele pensou que algum fantasma o estava a segurar.

Gabriel: Hã?! Obrigado. Hã?! Como é que o senhor se chama? (E desmaia)

Velhinho: Eu sou o médico daqui…

Juliana: Sim?! Mas você não me parece estar bem…

Camila: De facto, está muito magro, e é quase transparente….

Narrador: E o velhinho, passando a mão na cabeça do miúdo desmaiado, que desperta nesse mesmo instante, despede-se:

Velhinho: Vão para casa, meus filhos. São horas de dormir.

Narrador: No dia seguinte…

Lucas: Vamos procurar o velhinho.

Juliana: Para lhe agradecer a ajuda.

Camila: Não está nem no cemitério, nem em lugar nenhum.

Gabriel: Digo-vos: perdi o medo de fantasmas. Percebi que nem todos os seres misteriosos fazem mal. Pelo contrário, podem até ajudar. Como este médico fantasma.

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EDIÇÃO
Julho 2022 - nº 609
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