Sala de convívio
15 maio 2022

Crónica das Olimpíadas Agrárias

Tempo de leitura: 2 min
As buzinas das máquinas soaram, os animais batiam com os cascos… Estava a começar a cerimónia de inauguração das Olimpíadas Agrárias.
Pedro Neves
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Dia 1: Olimpíadas galináceas

Os agricultores, montados nos seus tratores, desfilaram até dentro do recinto empunhando a bandeira do seu país. Trabalharam anos para aquele momento.

Quando já estavam perfilados os representantes dos países dos cinco continentes, uma galinha voou com uma tocha de fogo no bico até ao mastro para assim dar como iniciadas as olimpíadas agrárias de 2022.

A primeira competição começou no dia seguinte, dia dedicado a todas as aves e galináceos. Quando o sol começava a espreitar, os galos apresentaram-se no palco, um de cada vez, para o canto ser avaliado por um júri de galinhas. Quem seria o galo que cantava melhor? Houve surpresas: desde galos que mal tinham voz, a galos que cantavam tão alto que rachavam os ovos. Mas o vencedor da medalha de ouro foi o galo italiano, um dos melhores cantores de ópera do mundo, Pietro Afroman. E recebeu o ovo de ouro.

Seguiu-se a competição do ovo perfeito. As galinhas de cada país alinharam-se nos seus ninhos para porem o ovo mais geometricamente perfeito. Dez minutos depois do cacarejar de início da prova, já havia vencedora: uma garnisé chinesa que pôs um ovo perfeitamente esférico. Foi a segunda premiada com o ovo de ouro, e deixou os donos das galinhas vizinhas com inveja, como, afinal, diz o ditado popular: «A galinha da vizinha é sempre melhor que a minha.» Nem a pobre avestruz australiana pondo um ovo maior que todos os outros ovos juntos conseguiu a medalha de ouro.

Faltavam mais duas competições naquele dia. A penúltima teve início duas horas depois de almoço. As aves reuniram-se no lago para a prova de natação de 200 metros. Nesta não houve surpresa, o campeão foi o pato selvagem da África do Sul, tricampeão da competição.

Ninguém do público saiu da zona do lago no final da prova de natação dos 200 metros, pois era ali que se ia dar a última prova do dia, a de natação sincronizada. Todos os grupos foram espetaculares, mas o que deixou o focinho de todos os animais na plateia no chão foram os tsurus (ave tradicional do Japão) que, usando a sua delicadeza, desafiaram a física nos vistosos truques realizados dentro de água.

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EDIÇÃO
Julho 2022 - nº 609
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