Sala de convívio
24 março 2023

Já borraram a pintura

Tempo de leitura: 1 min
É inevitável, quando se é jovem, querer mudar o mundo, o que não é inevitável é ser-se jovem e não saber pensar. O que têm as obras de arte que ver com opções políticas?
Beatriz Guégués
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Agora que sabem, desde a minha última crónica, que frequento Artes Visuais, já posso dar a minha opinião sobre os ativistas que, em vez de se virarem contra os verdadeiros responsáveis – que, a propósito, quem são? Os políticos ou todos nós? – pela política energética, se lembraram de atacar obras de arte nos museus. Mas eles estão bem? É inevitável, quando se é jovem, querer mudar o mundo, até porque não faltam aspetos que não estão nada bem. O que não é inevitável é ser-se jovem e não saber pensar. O que têm as obras de arte que ver com opções políticas? O que se ganha ao atacar obras-primas da pintura, com o risco de lhes causar danos irreparáveis? Só são coerentes na escolha da arma de arremesso escolhida – latas de sopa – porque é bem sabido que nós, jovens, não gostamos de sopa. Também há de chegar a Portugal esta moda ou maldição, como já chegaram as greves climáticas. Mas, como tudo tem consequências, em Itália o Governo já anunciou que o preço de entrada nos museus vai aumentar, porque vão aumentar, necessariamente, as medidas de proteção das obras em exposição, e nomeadamente com a instalação de vidros protetores. Ou seja, levamos todos sopa. 

[No desenho, a caricatura de Van Gogh autor da obra «Girassóis», uma das que foram vandalizadas.]
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Fevereiro 2024 - nº 625
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