Sala de convívio
12 fevereiro 2026

Manual de instruções para dias de cheias

Tempo de leitura: 4 min
Nos últimos dias, a chuva tem caído como se o céu tivesse perdido a chave da torneira. Rios transbordaram, ruas transformaram-se em lagos e muitas famílias tiveram de deixar as suas casas às pressas. Há sítios sem luz, sem telefone, sem internet.
Cristina Félix
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Escrito por uma criança atenta e corajosa

 

E há crianças que não podem ir à escola, nem visitar os avós, nem brincar no parque com os amigos. Mas, mesmo no meio desta confusão molhada, há coisas importantes que todos nós — pequenos e grandes — podemos fazer.

 

1. Antes de tudo: Segurança primeiro

Quando há cheias, as regras mudam um bocadinho:

* Nunca sair sozinho para ver a água de perto. Parece interessante, mas é perigoso.

* Não tentar atravessar ruas alagadas, mesmo que a água pareça baixinha. A corrente pode ser mais forte do que parece.

* Ouvir sempre os adultos responsáveis: pais, avós, vizinhos, professores, bombeiros.

* Guardar lanternas e pilhas num sítio fácil de encontrar, caso falte a luz.

* Ter um casaco impermeável sempre à mão. A chuva não avisa quando volta.

 

2. Como ajudar os irmãos mais novos

Os mais pequenos ficam assustados com barulhos fortes, sirenes e mudanças de rotina. Tu podes ser o herói deles:

* Explica-lhes com calma o que está a acontecer, sem exageros.

* Faz jogos simples dentro de casa: adivinhas, desenhos, histórias inventadas.

* Ajuda-os a arrumar a mochila com o que precisam, caso a família tenha de sair rapidamente.

* Mostra-lhes que, mesmo quando tudo parece confuso, vocês continuam juntos.

 

3. Como ser útil aos avós

Os avós preocupam-se muito connosco, mas às vezes esquecem-se de cuidar deles próprios. Aqui entram os teus superpoderes:

* Telefona ou envia uma mensagem quando houver rede. Só para dizer: “Está tudo bem por aqui.”

* Pergunta se precisam de algo: medicamentos, água, mantas.

* Se estiverem perto, ajuda a pôr tudo num sítio seguro, longe da água.

* E, acima de tudo, dá-lhes tranquilidade. Os avós gostam de saber que os netos são responsáveis.

 

4. Como ajudar outros meninos e pessoas mais idosas

* Mesmo sem poderes mágicos, podes fazer muito:

* Se a tua família tiver roupas, brinquedos ou mantas que já não usa, pergunta se podem ser doados.

* Faz desenhos ou pequenas mensagens de força para crianças que tiveram de sair de casa.

* Ajuda a carregar sacos leves ou a organizar coisas em centros de apoio, sempre acompanhado por um adulto.

* Sorri. Às vezes, um sorriso é mais quente do que uma manta.

 

5. O que fazer quando não podemos sair de casa

Ficar fechado entre quatro paredes pode parecer aborrecido, mas há maneiras de transformar o dia:

* Criar um “acampamento” na sala com almofadas e lanternas.

* Escrever uma história sobre um herói que vence tempestades.

* Fazer uma lista de coisas boas para fazer quando o sol voltar.

* Ajudar nas tarefas: dobrar roupa, arrumar brinquedos, separar reciclagem.

 

6. Quando a chuva finalmente parar

Depois da tempestade, vem sempre a arrumação — e também aí podes ser útil:

* Ajudar a limpar o que for seguro limpar.

* Perguntar aos vizinhos se precisam de ajuda para pequenas tarefas.

* Agradecer aos bombeiros, às equipas de limpeza e a todos os que trabalharam para manter as pessoas seguras.

 

Moral da História

Mesmo quando o mundo parece virado do avesso e a água sobe mais depressa do que conseguimos pensar, há algo que nunca se perde: a capacidade de cuidarmos uns dos outros.

Ser criança não significa ser pequeno. Significa ser atento, solidário, curioso e capaz de fazer a diferença — mesmo que seja com gestos simples.

.  E quando o sol voltar, vais perceber que, graças a ti, o dia ficou um bocadinho mais luminoso para alguém.

 

Cristina Félix, jornalista

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Artigos
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Fevereiro 2026 - nº 647
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