
Narrador: Era uma vez na Cratera de Ngorongoro, na Tanzânia, África. Considerada um zoológico a céu aberto, esta caldeira vulcânica abriga mais de 25 000 animais que se concentram em pântanos e lagos. Os animais convivem muito bem, bebem água, refrescam--se, ajudam-se e conversam sobre o dia. São como uma grande família. Mas, uma manhã, uma mãe rinoceronte acompanhada da sua cria surpreendeu os presentes e começaram a cochichar num tom suficientemente alto para que pudessem ouvir…
Macaco: Porque estão sujos de lama? O que lhes terá acontecido? Será que têm a noção disso?
Girafa: O seu estilo «sujo» é para espantar mosquitos ou será só preguiça?
Hiena: Dizem que quem não se lava perde o brilho... eu digo que perde a higiene também!
Gnu: Isto aqui não é uma pocilga e eles não são porquinhos!
Elefante: Ouçam todos: antes de se rirem, deviam era perguntar à mãe rinoceronte o motivo de estarem cobertos de lama!
Macaco: O motivo?!... Claro que têm um motivo!...
Hiena: Fazer a gente rir à gargalhada, não é, macaco?
Elefante: Diz-me, macaco: o que te protege do sol?
Macaco: O meu pelo lindo!
Elefante: E a ti, hiena, o que te protege das moscas, dos mosquitos e de todos os insetos maçadores?
Hiena: Eu abano o rabo e movo as orelhas e a pele.
Gnu: Eu faço o mesmo.
Rinoceronte: Obrigada, elefante, por nos defenderes. Mas agora falo eu: nós temos outras maneiras. A lama seca no nosso corpo protege-nos do sol forte e também dos insetos.
Elefante: Nós fazemos o mesmo. E, se não estou enganado, vocês hienas e gnus também usam esta tática.
Hiena: Pois é. Aprendi a lição: observar sem julgar. De ora em diante, não me vou rir dos outros só porque parecem diferentes.
Girafa: E eu aprendi a ser alta para ver o que acontece ao longe, mas humilde para não pisar ninguém.
Macaco: Eu percebi que, na Natureza, tudo tem um motivo.
Rinoceronte: Venham cá, macaco, hiena e gnu: abriguem-se do sol à nossa sombra e da do elefante. E tu, girafa, também podes ajudar-nos a enxotar os insetos: abana o teu rabo!
