Sala de convívio
17 outubro 2020

Xenofilia, isso sim

Tempo de leitura: 1 min
Se o meu coração abriga algum sentimento começado por xeno-, é xenofilia, a simpatia pelos estrangeiros ou por tudo o que é estrangeiro.
Beatriz Guégués
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A poucos dias de começar um novo ano letivo, ponho-me a pensar no que ganhei e no que perdi nestes meses de pandemia. Sobretudo, no que aprendi, nas lições que podem ficar para a vida. Assim, num tempo em que se fala tanto em racismo e xenofobia, posso dizer que entre os meus melhores amigos - neste final de verão de 2020 - estão três estrangeiros. Dois são brasileiros, os irmãos Pedro e Luciana, e um é cabo-verdiano, o Igor. Temos conversado muito, patinado juntos e ido à praia. Nada nos separa nem nada nos diferencia substancialmente. Somos quatro jovens com idades aproximadas, nada mais. Quatro amigos.

Discriminar alguém seja por que motivo for é completamente estúpido e, da perspetiva que agora nos interessa, anticristão. Afinal, não foi também Jesus um migrante, tal como seus pais? Quando Jesus, Maria e José foram para o Egito para fugir da perseguição do rei Herodes, no fundo, eram refugiados políticos, porque, se Jesus permanecesse na Judeia, poderia ser morto. De um momento para o outro, qualquer um de nós pode tornar-se migrante. E pode não estar envolvida nenhuma guerra nem motivo económico: a Natureza também desaloja o Homem. Com a subida do nível das águas do mar, há certas zonas ribeirinhas que deixarão de ser habitáveis. Secas prolongadas em zonas já estéreis também empurram o Homem para fora de certas zonas que habita.

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EDIÇÃO
Outubro 2020 - nº 589
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