Sala de convívio
17 fevereiro 2021

Insatisfação constante

Tempo de leitura: 1 min
Esta realidade fez-me pensar que é sempre assim: somos incapazes de nos dar por satisfeitos.
Margarida Leal
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Há um tema acerca do qual tenho pensado muito, porque cheguei a uma conclusão que me surpreendeu bastante: a incapacidade humana de estarmos satisfeitos, independentemente da situação.

Antes da pandemia que vivemos, toda a gente reclamava da falta de tempo, de chegar a casa demasiado tarde, por estar sempre imersa no trabalho… E, de repente, na época de quarentena, que tanto tempo deu a todos para refletir, todos nos encontrávamos fechados em casa com imenso tempo livre, para utilizar como quiséssemos, para fazer o que sempre dissemos que não tínhamos oportunidade de fazer. E o que é que aconteceu? Aborrecemo-nos, fartámo-nos, desejámos voltar ao normal. Até o trânsito pareceu fazer falta, enfadámo-nos de estar sempre a ver as paredes que mal víamos nos meses anteriores…

Esta realidade fez-me pensar que é sempre assim: somos incapazes de nos dar por satisfeitos. Assim que alcançamos um objetivo, surge outro que nos impede de aproveitar a alegria do que tanto trabalhámos para conseguir.

A insatisfação é a característica humana que permite a evolução constante tão necessária e positiva, mas acredito que, por vezes, se torna essencial parar; olhar para o que já conseguimos alcançar, para o que fomos capazes de fazer; aproveitar os pequenos momentos, até porque no fundo é neles que está a felicidade. Ninguém é feliz a toda a hora, e se passarmos a vida à espera de alcançar a felicidade plena iremos viver eternamente frustrados.

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EDIÇÃO
Fevereiro 2021 - nº 593
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