Sala de convívio
02 setembro 2021

Cuidar da casa comum

Tempo de leitura: 4 min
O Papa Francisco e o Vaticano convidam os católicos a participarem no Tempo da Criação ecuménico, que este ano nos convida a renovar o Oikos de Deus.
Bernardino Frutuoso
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O «Tempo da Criação» é a celebração anual de oração e ação pela nossa casa comum. Surgiu em 1989, quando o patriarca ecuménico Dimitrios I proclamou o dia 1 de setembro como um dia de oração pela criação. O Conselho Mundial das Igrejas estendeu depois este tempo até ao dia 4 de outubro, dia de São Francisco de Assis, e o Papa Francisco acolheu esta iniciativa na Igreja Católica em 2015.

O «Tempo da Criação» une 2,2 mil milhões de cristãos no mundo, entre os dias 1 de setembro e 4 de outubro e é uma oportunidade para que os seguidores de Jesus renovem a relação com o Criador e com toda a criação por meio da celebração, a conversão e o compromisso comunitário.

Descarrega o guia para celebrares o «Tempo da Criação 2021 aqui: https://drive.google.com/file/d/1uhKwHubkQWciz3LpELJha9uK0LzUItHN/view.

Preservar o Oikos de Deus

«Uma casa para todos? Renovando o Oikos de Deus» é o tema do Tempo da Criação deste ano, expressando que a Terra pertence a Deus, e cada criatura pertence a esta casa comum (cf. Salmo 24,1).

Mas que significa «oikos»? Etimologicamente, a raiz da palavra oikos vem do grego antigo e pode ser atribuída a dois significados: «casa» ou «família». Assim, ambos os conceitos se integram de forma muito significativa, uma vez que a palavra «casa» se refere ao lugar físico habitado, a nossa casa comum, o planeta Terra, e a família que a habita, composta pela humanidade e cada uma das espécies que habitam o planeta.

A nossa casa comum, como sabemos, está em perigo, por causa do colapso da biodiversidade e da crise climática, e precisa de ser renovada.

Nesse sentido, este ano, os cristãos estão convidados a participar numa ação concreta para preservar a nossa casa comum: a petição Planeta Saudável, Pessoas Saudáveis (https://thecatholicpetition.org/pt/home-pt/ ). Esta petição dirige-se os líderes do mundo e lança um apelo a agir contra a emergência climática e a crise da biodiversidade por ocasião de dois eventos importantes que se realizam nos próximos meses: em outubro, a Conferência da ONU sobre Biodiversidade (COP15), em que se definirão metas significativas para proteger a criação; em novembro, a 26.ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP26), onde se devem anunciar os planos para cumprir as metas do acordo de Paris.

No texto da petição refere-se que a biodiversidade do nosso planeta está a desintegrar-se devido à ação dos humanos. Os biólogos estimam que estamos a levar espécies à extinção a uma taxa de até mil vezes mais rápido do que sem a influência humana. O agravamento da crise climática está a causar o aumento do nível do mar e condições climáticas mais extremas, devastando vidas e meios de subsistência. Esta crise interligada está a afetar de forma mais adversa as nossas irmãs e irmãos mais pobres em todo o planeta, apesar de serem quem menos contribuiu para a crise. Mas nenhum de nós, rico ou pobre, está imune. Por isso, exortam os líderes do mundo a «reconhecer a necessidade de uma ação ambiciosa, integrada e transformadora que responda ao grito da Terra e ao grito dos pobres».

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Artigos
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EDIÇÃO
Julho 2022 - nº 609
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