A irmã Gabriella Bottani, comboniana italiana, coordenadora internacional da Rede Mundial da Vida Consagrada contra o Tráfico de Pessoas (Talitha Kum), recebeu no dia 20 de junho de 2019, em Washington, o prémio “Heróis contra o tráfico de pessoas”.
A cerimónia de entrega do prémio foi presidida pelo Secretário de Estado dos Estados Unidos, Mike Pompeo, em Washington.
Todos os anos, o Departamento de Estado dos Estados Unidos lança um relatório sobre o Tráfico de Pessoas (TIP), onde avalia os esforços globais no combate ao crime do tráfico humano. Juntamente com o relatório, alguns indivíduos que se destacaram pela coragem e comprometimento com a causa são publicamente honrados como “heróis” em reconhecimento dos seus incansáveis esforços para proteger as vítimas, punir os infratores e aumentar a conscientização sobre as práticas criminosas em curso nos seus países e no exterior, e porque as suas ações causaram um impacto duradouro na luta contra a escravidão moderna.
“A irmã Gabriella incorpora plenamente as qualidades de um herói do TIP. Ela é uma proeminente defensora anti-tráfico dentro da Igreja Católica. A sua dedicação ao combate do tráfico de pessoas salvou incontáveis vidas”, disse a embaixadora dos Estados Unidos na Santa Sé, Callista Gingrich.
Callista destacou o papel crucial desempenhado pela Ir. Gabriella no Brasil, antes e durante o campeonato do mundo de futebol da FIFA, em 2014: “ela atuou na proteção de crianças e mulheres vulneráveis em áreas desfavorecidas, liderando uma campanha nacional em defesa dos direitos humanos e contra o tráfico de pessoas”.
“Um trabalho fundamental com o objetivo de erradicar este crime global que é o tráfico de pessoas”, afirmou.
No discurso de agradecimento, a irmã Gabriella referiu que o trabalho da rede é desenvolvido em colaboração com pessoas de diferentes tradições de fé e com pessoas de boa vontade: “Promovemos uma abordagem centrada na pessoa, respeitando a dignidade inerente de cada indivíduo”, salientou.
A missionária comboniana recordou aos participantes do evento as principais causas de vulnerabilidade que podem levar ao tráfico de seres humanos, tais como: “estruturas de poder desiguais nas nossas sociedades, especialmente em relação a mulheres, crianças e povos indígenas. Políticas de migração inadequadas num mundo cada vez mais interconectado. E um modelo económico que explora seres humanos e recursos ambientais para o lucro de poucos em contraste com a exploração de muitos”.
O prémio chega num momento muito importante para a rede Talitha Kum, que este ano celebra 10 anos de criação e terá a sua primeira Assembleia Geral de 21 a 27 de setembro na cidade do Vaticano.
Em maio de 2019, o Papa Francisco inaugurou, juntamente com a irmã Gabriella Bottani, a exposição fotográfica “Irmãs que curam os corações”, instalada na Sala Paulo VI, na cidade do Vaticano. Ocasião em que Francisco afirmou que “o tráfico humano é uma ferida aberta no corpo da sociedade contemporânea, uma ferida aberta no Corpo de Cristo”.
Sobre a rede Talitha Kum
Há dez anos, a Igreja Católica criou uma rede de irmãs religiosas em todo o mundo para combater o tráfico de pessoas e a escravidão, um dos maiores desafios morais do nosso tempo.
Atualmente, a rede Talitha Kum está presente em 76 países e envolve mais de 2000 irmãs que dedicam as suas vidas às vítimas e sobreviventes do tráfico de pessoas.
Inspiradas pelo Evangelho e pela liderança do Papa Francisco, que condena o tráfico de pessoas de maneira firme e frequente, as irmãs compartilham uma missão: livrar o mundo desse mal, mantendo o foco na prevenção, proteção e reabilitação social.










