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26 junho 2019

Violação de acordos de paz ameaça a Rep. Centro-Africana

Tempo de leitura: 2 min
Bispos centro-africanos denunciam domínio dos grupos armados
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A Conferência dos Bispos da República Centro-Africana (RCA) reunida em sessão plenária divulgou uma mensagem a denunciar o desrespeito pelos acordos de paz e o domínio dos grupos armados sobre a vida sociopolítica dos centro-africanos.

“O povo está cansado da hipocrisia que caracteriza a assinatura dos vários acordos de paz que se realizaram neste país. Na verdade, estes acordos são assinados para logo de seguida serem violados pelos próprios signatários”, aponta a mensagem dos bispos centro-africanos.

Desde o início da crise na RCA em 2013, foram assinados oito acordo entre governo e grupos armados. O último no dia 6 de fevereiro de 2019, quando o presidente Faustin-Archange Touadera assinou um acordo com 14 grupos armados que se comprometeram a não fazer uso de armas para resolver divergências. No entanto, o compromisso não está a ser respeitado.

Por isso, os bispos centro-africanos acusam os grupos armados, que sempre estiveram ligados aos diferentes regimes políticos, de lançarem o caos e serem uma grande ameaça à estabilidade da RCA.

“Ao rever a história da nossa nação, descobrimos que cada regime político parece estar sempre ligado a uma milícia”, apontam os sacerdotes, citando vários grupos armados que já se formaram no país:

“Os “Abeilles” sob o comando de Jean-Bedel Bokassa, presidente e então imperador (1966-1979); os “Karako”, milícia de Ange-Félix Patassé, presidente entre 1993 e 2003; os “Libérateurs” compostos principalmente por mercenários do Chade e que permitiram a François Bozizé (2003-2013) ganhar poder; os “Seleka” milícia predominantemente muçulmana que ajudou a derrubar François Bozizé do poder; e os “Anti-Balaka”, grupo de autodefesa composto principalmente por cristãos, criado em resposta às atrocidades do Seleka. Hoje é o movimento dos “Requins” (Tubarões), um grupo considerado como o braço armado do atual presidente Touadera”, lê-se na mensagem.

No final da mensagem, os bispos recordam o aniversário dos 125 anos da evangelização da República Centro-Africana, reafirmando que o Evangelho que os primeiros missionários anunciaram continua atual: “Palavra de libertação dos oprimidos, uma exortação à justiça e um dom da paz de Cristo”.

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