“Somos as criaturas prediletas de Deus, que em sua bondade nos chama a amar a vida e a vivê-la em comunhão, conectados com a criação. É este o tempo para refletir sobre nossos estilos de vida e para empreender ações proféticas. É este o tempo para nos habituarmos novamente a rezar mergulhados na natureza, onde a gratidão a Deus, o criador, brota espontaneamente. É hora de redescobrir nossa vocação de filhos de Deus, de irmãos entre nós, de guardiões da criação”.
Estas são algumas das afirmações presentes na mensagem do Papa Francisco por ocasião do «Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação», celebrado no dia 1 de setembro de 2019.
Logo nas primeiras linhas, o Papa refere que ao início da Bíblia, o olhar de Deus pousa-se ternamente sobre a criação: “Desde a terra habitável até às águas que sustentam a vida, desde as árvores que dão fruto até aos animais que povoam a casa comum, tudo é benquisto aos olhos de Deus, que oferece a criação ao homem como dom precioso que deve guardar”.
No entanto, o Santo Padre recorda que “desgraçadamente, a resposta humana ao dom recebido foi marcada pelo pecado, pelo fechamento na própria autonomia, pela avidez de possuir e explorar”.
“Egoísmos e interesses fizeram deste lugar de encontro e partilha, que é a criação, um palco de rivalidades e confrontos. Assim, colocou-se em perigo o próprio ambiente: coisa boa aos olhos de Deus, torna-se coisa explorável nas mãos humanas. A degradação aumentou nas últimas décadas: a poluição constante, o uso incessante de combustíveis fósseis, a exploração agrícola intensiva, a prática de abater as florestas… estão a elevar as temperaturas globais para níveis preocupantes. O aumento da intensidade e frequência de fenómenos meteorológicos extremos e a desertificação do solo estão a colocar à prova os mais vulneráveis entre nós. A dissolução dos glaciares, a escassez de água, o menosprezo das bacias hidrográficas e a considerável presença de plástico e microplástico nos oceanos são factos igualmente preocupantes, que confirmam a urgência de intervenções não mais adiáveis. Criamos uma emergência climática, que ameaça gravemente a natureza e a vida, inclusive a nossa”, alerta o pontífice.
De acordo com o Papa, na raiz de tudo, está o facto de termos esquecido quem somos: criaturas à imagem de Deus, chamadas a habitar como irmãos e irmãs a mesma casa comum.
“Não fomos criados para ser indivíduos que se assenhoreiam; fomos pensados e queridos no centro duma rede da vida constituída por milhões de espécies, amorosamente unidas por nosso intermédio ao Criador. É hora de redescobrir a nossa vocação de filhos de Deus, irmãos entre nós, guardiões da criação. É tempo de arrepender-se e converter-se, de voltar às raízes: somos as criaturas prediletas de Deus, que, na sua bondade, nos chama a amar a vida e a vivê-la em comunhão, conectados com a criação”, explica.









