A missão dá aos missionários uma família muito alargada. Jesus promete a quem deixar os afetos e as raízes por causa Dele uma recompensa cem vezes maior aqui e, depois, a vida eterna. Os missionários encontram uma rede de irmãos nos lugares onde estudam, nos povos e países com quem evangelizam. São pessoas que se tornam pais, irmãos e amigos.
A missão dá aos missionários um povo novo, com quem viver uma relação de amor mútuo, aceitando as suas luzes e sombras. Os missionários aprendem a sua língua, as expressões da sua cultura, a sua culinária, as tradições.
A missão dá aos missionários novos modos de dizer «Deus». Os portugueses temos as nossas maneiras de dizer Deus, de rezar, de crer. Os povos do mundo também têm a sua maneira tradicional de invocar o Criador. Nas orações próprias da cultura, invocam Deus como nosso pai e nossa mãe, nosso avô e nossa avó, aquele que nos deu à luz. A missão também é oração. Jesus iniciou as pessoas numa nova relação com Deus, chamando-lhe Abba, Paizinho. O missionário reza com a gente e ao seu jeito.
A missão dá aos missionários uma nova vivência do tempo. Aprendem que o tempo não se conta, mas faz-se através de encontros interpessoais.
A missão dá aos missionários uma mística do quotidiano. Na missão, o dia a dia pode transcorrer calmamente. Aprender a respeitar o tempo é também desacelerar o viver. Quando o serviço missionário é feito a pé ou em viagens demoradas de carro, mota ou bicicleta, cruzando a floresta, os rios, as aldeias, o missionário volta a tomar consciência do entorno: os pássaros e os seus chilreios felizes, os raios de sol a brincar com a neblina matinal por entre os ramos das árvores, as flores e as ervas que pintam o verde do chão. Isso desperta os missionários para a oração.
A missão dá aos missionários uma identidade. A Igreja é missão. Jesus instituiu-a não para ser um clube esotérico de redimidos. Ele enviou-a aos confins do mundo, aos confins da vida para anunciar a Boa Nova do Reino de Justiça, Paz e Alegria já presente no meio de nós.
A missão dá aos missionários a matemática de Deus: para multiplicar é preciso dividir. A partilha é o caminho para a revitalização e renovação das Igrejas mais antigas. As paróquias mais antigas estão mirradas e precisam da energia celebrativa das comunidades jovens.
A missão dá aos missionários a hospitalidade. Proclamar Deus como o Pai comum é acolher a todos – mesmo os estranhos – como irmãos. A hospitalidade mantém as comunidades acolhedoras e abertas às necessidades dos mais pobres.









