Justiça e Paz
31 março 2026

A riqueza na mão de poucos

Tempo de leitura: 2 min
Leão XIV afirmou na última audiência jubilar que os poderosos não ouvem «o grito dos pobres» e alertou para a concentração da riqueza nas mãos de «muito poucos», que não querem «ouvir o gemido da Terra e dos pobres».
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No passado dia 20 de dezembro, na última audiência jubilar, o Papa Leão XIV lembrou aos peregrinos reunidos na praça de São Pedro que «a riqueza da Terra está nas mãos de poucos, muito poucos, cada vez mais concentrada – injustamente nas mãos de quem muitas vezes não quer ouvir o gemido da Terra e dos pobres».

Efetivamente, o Relatório Mundial sobre a Desigualdade de 2026 assinala que os 10% mais ricos da população possuem 75% de toda a riqueza, enquanto a metade mais pobre tem apenas 2%. Todavia, os multimilionários, menos de 60 mil pessoas, detém três vezes mais riqueza do que a metade mais pobre da humanidade (4,1 mil milhões de pessoas). «O resultado é um mundo em que uma minoria ínfima detém um poder financeiro sem precedentes, enquanto milhares de milhões continuam excluídos até mesmo da estabilidade económica básica», diz o documento.

Em quase todas as regiões do mundo, o 1% mais rico tem mais fortuna do que os 90% mais pobres. O texto especifica, por exemplo, que «uma pessoa média na América do Norte e Oceânia ganha cerca de treze vezes mais do que alguém na África Subsariana».

As disparidades económicas «não são inevitáveis», defendem os autores do relatório, mas sim «o resultado de escolhas políticas e institucionais». Por isso, para reduzir a desigualdade e as disparidades que têm crescido ao longo das últimas décadas, os pesquisadores do World Inequality Lab indicam algumas soluções: aumento do investimento público em escolas; programas sociais de apoio aos mais desfavorecidos; reforço de políticas que conduzam a maior igualdade de géneros; incremento da tributação aos super-ricos.

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