
Em finais de Março, voltei à ilha de Canhabaque (Konha), uma das 88 que constituem a reserva do Arquipélago de Bijagós (Guiné-Bissau). Fazia apenas um ano que não pisava a ilha, e fui convidada a passar alguns dias em família na aldeia de Endena. Nené, uma mulher que conheço há dois anos, assim que me viu disse-me: «Sara, nha home na bai fanado.»
Estas palavras trespassaram-me. Depois de dois anos de idas e vindas de Espanha, há um ano decidi ficar a viver no arquipélago. Tem sido um processo intenso e bonito, de escuta, adaptação e aprendizagem. Com o tempo, fui conhecendo pessoas, famílias, dinâmicas comunitárias e, aos poucos, também a língua crioula.
