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04 fevereiro 2026

Visão da água

Tempo de leitura: 11 min
Quando apenas metade da população do continente tem acesso a serviços de saneamento, a União Africana pretende dar um novo impulso à disponibilidade sustentável de água O objectivo é que as infra-estruturas de saneamento garantam economias e comunidades sustentáveis imunes às alterações climáticas.
Carlos Reis
Jornalista
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Num momento em que o mundo entrou na era da «bancarrota hídrica global», com 70% dos grandes aquíferos em declínio e danos praticamente «irreversíveis» (relatório da Universidade das Nações Unidas, 20 Janeiro de 2026), a visão política da União Africana procura que o continente seja seguro e resiliente à água, posicionando a água potável como o activo mais estratégico para impulsionar a transformação social e o crescimento económico do plano estratégico Agenda 2063. O compromisso é acelerar a concretização de projectos comerciais, financeiros e orçamentais para garantir a sustentabilidade e um programa para assegurar as águas subterrâneas ocultas de África. Na cimeira African Union-AIP Water Investment Summit 2025, realizada na África do Sul, o Continental Africa Water Investment Programme admitiu que «os investimentos no sector de água da África estão bem abaixo dos requisitos do continente». Por sua vez, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) conclui que, em 2022, apenas 39% da população da África utilizava água potável gerida de forma segura. Cerca de 411 milhões de pessoas ainda não tinham acesso a serviços básicos de água potável.

Para 2026, ano temático da União Africana dedicado à garantia de disponibilidade sustentável de água e sistemas de saneamento seguros, está planeada a Conferência Internacional sobre o Financiamento da Visão e Política Africana da Água para 2063 (ICFAWVP63) com objectivo de mobilizar investimentos significativos para colmatar a lacuna de financiamento anual de 30 mil milhões de dólares para segurança hídrica sustentável e projectos de saneamento no continente. Neste mesmo ano, o Senegal é o país co-organizador da Conferência das Nações Unidas sobre Água (UNWC), em Dezembro, nos Emirados Árabes Unidos.

O país da África Ocidental pretende  garantir que as prioridades do continente moldem a agenda global da água. «É um compromisso solene da África com as gerações futuras, para salvaguardar a água como o batimento cardíaco da prosperidade, paz e dignidade, e colocá-la no centro da transformação da África», regista o senegalês Cheikh Dièye, presidente do Conselho de Ministros Africanos sobre Água (AMCOW), referindo-se à passagem das respostas fragmentadas à acção colectiva proporcionada pelo documento Visão e Política Africana para Água 2063 (AWVP63), visto como uma bússola continental.

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Fevereiro 2026 - nº 765
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