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20 setembro 2026

«Nunca mais com Moscovo»

Tempo de leitura: 5 min
História. Tallinn, Riga, Vilnius. No caso das Repúblicas Bálticas — Estónia, Letónia e Lituânia — a metáfora das «três irmãs» não é exagerada.
Paolo Moiola
Jornalista
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Mulheres bálticas deportadas pelos Soviéticos para Irkutsk, na Sibéria, em 1956



É 
certo que não lhes faltam diferenças, desde logo, a língua, mas também é verdade que Tallinn, Riga e Vilnius permaneceram unidas e solidárias ao longo dos dramáticos acontecimentos da sua conturbada história, sobretudo no século xx.

 

Após o período em que integraram a Liga Hanseática, Riga desde 1282, Tallinn desde 1285 e Kaunas (em vez de Vilnius) desde 1441, chegou a Grande Guerra do Norte, um longo conflito (1700-1721) pela hegemonia do mar Báltico, travado nos territórios da Europa Setentrional e Oriental. A guerra marcou o declínio da Suécia como potência dominante no Norte da Europa e, em contrapartida, a afirmação da Rússia como nova grande potência. A Estónia e a Letónia passaram a integrar o Império Russo em 1721; a Lituânia, em 1795. Assim permaneceram até 1917, ano da Revolução de Outubro, que conduziu ao colapso do Império Russo e ao nascimento da Rússia soviética.

 

Em Março de 1918, com a assinatura do Tratado de Brest-Litovsk, a Rússia bolchevique renunciou aos três países bálticos que, entretanto, tinham sido ocupados pelos exércitos das potências centrais (Alemanha e Áustria-Hungria). Nesse mesmo ano de 1918, a Estónia, a Letónia e a Lituânia proclamaram a independência. O seu estatuto de Estados soberanos foi formalmente reconhecido em Setembro de 1921, com a admissão na Sociedade das Nações, a organização internacional criada pelo Tratado de Versalhes, que pôs oficialmente termo à Primeira Guerra Mundial.

 

No período entre as duas guerras mundiais, os três países bálticos conheceram uma grande instabilidade política, que favoreceu a ascensão de regimes autoritários. Na Lituânia governou Antanas Smetona (1926-1940); na Estónia, Konstantin Päts (1934-1940); e na Letónia, Kārlis Ulmanis (1936-1940).

 

A verdadeira viragem para as três repúblicas bálticas ocorreu em 23 de Agosto de 1939. Nesse dia, foi assinado o Pacto Molotov-Ribbentrop (assim designado pelos apelidos dos respectivos ministros dos Negócios Estrangeiros), entre a Alemanha de Hitler e a União Soviética de Estaline.

 

Pelo pacto, os dois países comprometiam-se a não se atacarem mutuamente e repartiam entre si os países da Europa Oriental. A Estónia, a Letónia e a Lituânia ficaram na esfera de domínio de Moscovo.

 

O acordo entre Hitler e Estaline durou pouco. Foi quebrado em 22 de Junho de 1941, quando a Alemanha invadiu a União Soviética (Operação Barba-Roxa). Os três países bálticos passaram então para o controlo alemão durante três anos.

 

Entre Fevereiro de 1944 e o início de 1945, o exército nazi retirou-se perante o avanço do Exército Vermelho. Os países bálticos regressaram ao domínio de Moscovo. As autoridades soviéticas lançaram então um vasto programa de sovietização, procurando simultaneamente enfraquecer as identidades nacionais através de deportações e da imigração em massa proveniente de outras regiões da URSS. A resistência armada dos guerrilheiros bálticos, que passaram à História como os «Irmãos da Floresta», prolongou-se durante dez anos (1945-1956). Incorporadas como repúblicas da União Soviética, a Estónia, a Letónia e a Lituânia permaneceram sob domínio soviético durante quarenta e cinco anos, até 1991.

 

Em 23 de Agosto de 1989, por ocasião do cinquentenário do Pacto Molotov-Ribbentrop, cidadãos da Estónia, da Letónia e da Lituânia formaram uma cadeia humana que atravessou os três Estados bálticos, ligando Tallinn, Riga e Vilnius, para exigir a independência da União Soviética [na foto, participantes na manifestação]. A manifestação reuniu cerca de dois milhões de pessoas (um quarto da população conjunta dos três países na época), que deram as mãos ao longo de aproximadamente 670 quilómetros. Foi um acontecimento pacífico de extraordinário valor simbólico, ocorrido apenas alguns meses antes da queda do Muro de Berlim, em Novembro de 1989.

 

Entre 1990 e 1991, aproveitando a crise e o desmoronamento da União Soviética, as três repúblicas bálticas proclamaram, sucessivamente, a sua independência: a Lituânia, em 11 de Março de 1990; a Estónia, em 20 de Agosto de 1991; e a Letónia, em 21 de Agosto de 1991.

Posteriormente, os três países aderiram à NATO em 29 de Março de 2004, à União Europeia em 1 de Maio de 2004 e, entre 2011 e 2015, à zona euro.

Paolo Moiola

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Setembro 2026 - nº 771
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