Opinião
01 abril 2026

Leão XIV, missionário da paz na África

Tempo de leitura: 4 min
A viagem de Leão XIV a África será um acontecimento religioso, social e mediático que nos permitirá conhecer melhor as potencialidades e os desafios do continente da esperança.
Ir. Bernardino Frutuoso
Director
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Leão XIV vai realizar uma extensa viagem apostólica ao continente africano de 13 a 23 deste mês de Abril. A jornada pontifícia aponta para memórias históricas, migrações contemporâneas, pontes inter-religiosas, contextos sociais e políticos complexos e Igrejas jovens, onde peregrinam comunidades cristãs activas e vivas, que testemunham a fé com alegria.

A primeira etapa deste périplo africano levará Leão XIV à Argélia, onde vai revisitar os passos de Santo Agostinho, bispo de Hipona, inspirador da ordem religiosa a que pertence. No país, com uma população maioritariamente muçulmana sunita, as comunidades cristãs são reduzidíssimas — 0,019% da população, uns 8740 fiéis —, mas são sementes de fraternidade e activas construtoras do diálogo entre cristãos e muçulmanos — ver páginas 16-27.
O cardeal Jean-Paul Vesco, arcebispo de Argel, mencionou que esta era uma visita «há muito tempo desejada» num território que está «entre o mundo ocidental e o mundo árabo-muçulmano», «entre o Norte e o Sul, com todas as questões da migração».

Leão XIV desloca-se depois para os Camarões, país onde os católicos são aproximadamente 7,9 milhões, 27,9% da população. Os Camaroneses sofrem com o conflito separatista nas regiões anglófonas (Noroeste e Sudoeste) e o terrorismo — há ataques frequentes do Boko Haram no Norte. A Igreja local tem grandes expectativas pela visita de Leão XIV, que vai ao país «como embaixador da paz e da reconciliação», como assinalou o arcebispo de Bamenda e presidente da Conferência Episcopal, D. Andrew Fuanya Nkea.

A terceira etapa da viagem será Angola, país lusófono onde há 17,9 milhões de católicos, aproximadamente 49% da população. O país é detentor de grande riqueza petrolífera, mas continua a ter altos índices de pobreza e uma profunda desigualdade socioeconómica. Os bispos da Conferência Episcopal de Angola e São Tomé (CEAST) sublinham que a presença de Leão XIV encorajará os católicos a unirem-se «cada vez mais na promoção da esperança, da reconciliação e da paz para todos».

A última paragem do papa será a Guiné Equatorial. O presidente Teodoro Obiang Nguema Mbasogo está no poder desde 1979 e as organizações internacionais falam de falta de respeito pelos direitos humanos. É um dos países com maior percentagem de católicos da África Subsariana: 81% da população. Para D. Juan Domingo Beka Esono Ayang, bispo de Mongomo e presidente da Conferência Episcopal, esta viagem «irá fortalecer a paz, a justiça, a comunhão na Igreja e a coesão social num país agora em vias de secularização».

Leão XIV, que visitou muitas missões africanas enquanto agostiniano e «tem África no coração», procurará nestes dias fortalecer a fé dos baptizados, ser construtor de pontes entre os povos e embaixador da paz, da justiça social, da liberdade, do diálogo, da reconciliação e da fraternidade, dando particular atenção aos mais vulneráveis, aos pobres e àqueles que cuidam deles. Uma viagem importante que será certamente um acontecimento religioso, social e mediático e nos permitirá conhecer melhor as potencialidades e os desafios do continente da esperança.

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Editorial
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Abril 2026 - nº 767
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