
O que é a Torre Eiffel? Em 1889, quando foi construída, servia como proeza tecnológica para celebrar 100 anos da Revolução Francesa. Seria um monumento temporário a desmontar ao fim de 20 anos. Porém, encontrou a sua utilidade em experiências científicas e, sobretudo, no âmbito das telecomunicações. Mas o que é fisicamente a Torre Eiffel? Um monte de aço no meio da cidade, mas ninguém se queixa e muitos a admiram. Por que razão, então, se queixam as pessoas dos parques solares?
Recentemente expressaram-me que os parques solares feriam a vista de quem pensava contemplar os montes numa paisagem. Porém, os parques solares são uma admirável obra de engenharia capaz de captar a fonte renovável de energia solar para a converter em energia eléctrica. A energia solar varia com as condições atmosféricas, mas é grátis e disponível para todos, ricos e pobres, desde que tenhamos os ditos parques solares com painéis fotovoltaicos. De onde virá esta ideia de que os parques solares ferem a vista?
Mais uma vez, os investidores de um parque solar de grandes dimensões em Alqueva viram a sua iniciativa chumbada pela Agência Portuguesa do Ambiente por motivos ambientais. Porém, não me recordo de alguma vez terem reprovado a construção de um centro comercial de grandes dimensões por esses motivos, ou de ouvir que aquele grande parque de estacionamento junto à estação dos comboios fere a vista. Por que razão deixamos de ser ambientalistas com as construções que alimentam o consumo de energia fóssil (uso de carros), e reagimos negativamente a soluções que aumentem a percentagem de energia de fonte renovável a alimentar as nossas tomadas?
Creio valer a pena recuperar a noção de sermos co-criadores com Deus. Um parque solar de grandes dimensões é uma obra de arte e de co-criação com Deus por mover a nossa cultura do sentido de minimizar a alteração climática do nosso planeta. Um recente estudo da Association of Energy Innovators a 30 parques solares na Alemanha mostrou que, quando bem projectados, aumentam a biodiversidade da paisagem, permitindo o crescimento de prados naturais com flores silvestres. Alona Armstrong, da Universidade de Lancaster, foi co-autora de um estudo ao efeito de 87 parques solares no Reino Unido sobre a biodiversidade local e diz que «terrenos dentro de parques solares que não têm painéis fotovoltaicos instalados — como margens e corredores —, se forem geridos de forma adequada, podem proporcionar benefícios significativos adicionais, incluindo a criação de habitat para a vida selvagem, como insectos polinizadores ou aves.»
Não me recordo de qualquer efeito ambientalmente positivo obtido da construção da Torre Eiffel ou de qualquer centro comercial ou parque de estacionamento.
Sermos co-criadores com Deus é também pôr o fruto tecnológico que sai das nossas mãos ao serviço de um planeta mais limpo. Oxalá tomemos maior consciência de que o que parece afectar a vista pretende, no fundo, converter o coração.
