Reportagens
17 janeiro 2026

Sob (apertada) vigilância

Tempo de leitura: 14 min
Acaba de celebrar os setenta anos da sua autonomia. Durante este período, Xinjiang conheceu um desenvolvimento económico sem precedentes, enaltecido pelas autoridades chinesas. Subsistem, todavia, dúvidas quanto à real condição dos Uigures, a etnia originária desalojada pelos Han.
Paolo Moiola
Jornalista
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Passo de Torugart. Eis a fronteira. Alexander, o motorista do miniautocarro quirguiz, não se cansa de repetir: «Nada de fotos, por favor.» Di-lo em russo, mas todos, mesmo sem conhecerem a língua, percebem o sentido. Situado a 3752 metros de altitude, o Torugart é o passo que liga o Quirguizistão ao Xinjiang, região autónoma no Noroeste da China. Em redor, as montanhas estão completamente despidas, e, no entanto, belas, graças a um céu límpido e a um sol resplandecente. Não faltam cumes nevados — estamos em meados de Outubro —, mas ficam mais distantes.

À nossa frente, a fronteira «conta» muitas coisas. Não tanto pelo arame farpado nos portões ou pelas bandeiras vermelhas com estrelas, mas pelo número exagerado de câmaras colocadas em todos os ângulos imagináveis. Esta é considerada uma fronteira «sensível», mas o tráfego é reduzido e unidireccional. Passam apenas camiões pesadíssimos carregados de reluzentes automóveis chineses rumo ao Quirguizistão.

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EDIÇÃO
Janeiro 2026 - nº 764
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