Sala de convívio
25 junho 2022

Último dia das Olimpíadas Agrárias

Tempo de leitura: 3 min
Em vez do aguardado Sol, foi a chuva que acordou os galos, que acordaram toda a gente, e, assim se deu início ao último dia das Olimpíadas Agrárias.
Pedro Neves
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Este dia foi dedicado aos que trabalham numa das profissões mais antigas do planeta, a agricultura.

Os animais encheram as bancadas do estádio para torcer pelos seus donos.

Os agricultores entraram no estádio vestindo um fato-macaco personalizado com as cores dos respetivos países.

As condições climatéricas do dia não eram as mais propícias à realização das modalidades agrárias, mas estas são condições que os agricultores aprendem a trabalhar anualmente, porque o trabalho agrícola nunca pode parar.

A primeira modalidade do dia foi o lançamento de fardos de feno para o reboque. As equipas em competição eram formadas por quatro agricultores. Venceu a equipa portuguesa, que conseguiu encher mais rapidamente o reboque com paralelepípedos de feno. Porém, durante a prova, tiveram de ultrapassar várias dificuldades provocadas pela chuva: os fardos de feno ficaram mais pesados com a humidade, o reboque e o trator enterravam-se na lama, e a própria movimentação dos participantes ficava mais difícil devido à chuva que ensopava a terra.

A chuva não quis parar e fez-se ouvir cada vez mais no estádio, batendo com força no campo verde onde se ia realizar a seguinte modalidade, a reunião de ovelhas. Consiste no trabalho diário de um produtor de lã. Ele reúne as ovelhas depois do dia a pastarem. Nesta prova, os agricultores usufruíram da ajuda dos seus melhores amigos cães que são exímios na arte do pastoreio.

Dado o apito, os cães começaram a correr atrás do rebanho de cem ovelhas, e os donos foram dando indicações, recorrendo à linguagem dos assobios.

Quando revelaram o vencedor, ficaram todos surpreendidos. Este ano não tinha sido o border collie a ganhar pela Escócia, nem o pastor alemão a ganhar pela Alemanha, mas sim o pastor romeno Miorítico, um cão de 60 quilos com pelo confundível com a lã de ovelha, dando à Roménia a primeira forquilha de ouro da história. Os poucos adeptos romenos que se encontravam nas bancadas festejavam eufóricos.

Uma hora depois de birra entre as nuvens e o Sol, este conseguiu furar um buraco no céu e a sua luz permitiu que se concluíssem as Olimpíadas com a modalidade que faltava, a corrida de tratores.

A pista era um percurso enlameado. Todos os tratores deram uma arrancada a fundo, mas ficaram presos com as rodas enterradas na lama. O único trator que não teve esse problema foi o de lagartas mecânicas alemão que, apensar da calma e lentidão, deu a volta à pista e o piloto pôde ostentar com orgulho a sua forquilha de ouro.

Na cerimónia de encerramento, a mesma galinha que acendeu a tocha das Olimpíadas apagou-a, dando assim por terminadas as Olimpíadas Agrárias de 2022.

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EDIÇÃO
Julho 2022 - nº 609
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