Sala de convívio
29 maio 2024

Fora do manicómio

Tempo de leitura: 2 min
A associação Manicómio promove trabalhos de artistas com experiência de doença mental.
Beatriz Guégués
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Já sabem que a minha área são as Artes, e, ainda que nesta crónica mencione museus, não é sobre arte, mas sim sobre saúde, e mais especificamente sobre saúde mental, que depois da pandemia se tornou um dos maiores problemas de saúde pública. Sobretudo entre nós, jovens, sujeitos a pressões vindas dos nossos pais, da escola, da própria sociedade.

A ideia foi do Manicómio, uma associação que promove trabalhos de artistas com experiência de doença mental, que após dois anos alargou a experiência a mais espaços: no MAAT (Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia), que é um museu de arte contemporânea em Lisboa, à beira-rio, e no Ar.Co – Centro de Arte e Comunicação Visual, em Xabregas; em Cascais, perto da Marina, no Museu-Biblioteca Conde de Castro Guimarães. Em breve, pelo que ouvi na televisão, vão para o Porto.

O objetivo é proporcionar consultas em saúde mental, como psiquiatria, psicologia ou psicoterapia, em espaços públicos e não convencionais, como museus, tanto no interior como nos espaços exteriores — e por isso o projeto se chama Consultas sem Paredes. Fora de um ambiente formal, de gabinete, o que retira ainda mais o estigma das questões relacionadas com a saúde mental, mais pessoas se sentirão atraídas. O outro ponto aliciante é que as consultas são consideravelmente mais baratas (35 euros) ou mesmo gratuitas, no caso de a pessoa residir em Cascais e o agregado pertencer até ao 4.o escalão de IRS.

Há mais associações às quais se pode recorrer para obter apoio psicológico de forma acessível, como são a Associação Olhar, Casa Estrela-do-Mar, Aragens d’Empatia (com parcerias em vários pontos do País), a Mental8Works, a Casa Qui, a SaúdeMent4LL, a Corações Com Coroa, entre outras, mas este projeto da Manicómio é o mais inovador e já foram dadas mais de cinco mil consultas a mais de 450 pessoas.

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EDIÇÃO
Julho 2024 - nº 630
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