
Num dia qualquer, numa pausa entre aulas, sentou-se ao lado de uma colega nova, Lara. Começaram a conversar. Sem saber bem porquê, Inês começou a falar… e não parou:
— Às vezes sinto que ninguém me conhece de verdade…
— Tenho medo de falhar…
— Canso-me de fingir…
Quando percebeu, estava a chorar.
— Desculpa… — disse, envergonhada.
Lara sorriu com calma:
— Não tens de pedir desculpa por seres verdadeira.
No domingo, ouviu a história da Samaritana. Uma mulher que ia ao poço sozinha, no calor do meio-dia, para evitar os olhares.
Inês percebeu: também ela andava a evitar o seu próprio poço.
Nesse dia, decidiu não publicar nada. Nem frase bonita, nem foto perfeita.
Ficou em silêncio. E, pela primeira vez, sentiu que Deus a encontrava ali — não na imagem que mostrava, mas na sede que escondia.
Sérgio Carvalho
