
Quando um novo aluno chegou à turma, André decidiu imediatamente:
— Não é dos meus.
Durante dias, ignorou-o. Até que um professor os colocou lado a lado num trabalho.
No início, silêncio.
Depois, uma pergunta.
Depois, outra.
André descobriu que o colega tinha mudado de escola três vezes naquele ano. Que a mãe estava doente. Que não conhecia ninguém. Sentiu um aperto no peito.
No domingo, ouviu o Evangelho do cego de nascença. E percebeu: ele via tudo… menos o essencial.
Na segunda-feira, sentou-se ao lado do colega sem ser obrigado.
— Queres almoçar connosco? — perguntou.
O rapaz sorriu, surpreendido.
Naquele momento, André percebeu: a caridade começa quando deixamos de ver rótulos e começamos a ver pessoas.
