Sala de convívio
15 maio 2020

Arte Gilão

Tempo de leitura: 2 min
Tavira é cidade de igrejas, todavia mantém traços do período islâmico: ruas estreitas e encaracoladas, portas com postigo e açoteias no topo das casas.
Miguel Pinto Monteiro e João Martins
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Tavira, cidade fundada no ano de 1266, conquistada aos mouros, está cheia de encantos.

As vielas estreitas e sinuosas serpenteiam as colinas, correndo para o Gilão. O Gilão é o rio que nasce na serra do Caldeirão, e que passa a denominar-se Séqua nas cercanias da cidade de Tavira. Como se fosse uma pessoa vestida para uma ocasião especial, o Gilão toma um novo nome ao entrar na cidade.

Tavira é cidade de igrejas, todavia mantém traços do período islâmico: ruas estreitas e encaracoladas, portas com postigo e açoteias no topo das casas.

A igreja matriz, de Santa Maria do Castelo, construída sobre a antiga mesquita, observou todas as mudanças ocorridas na cidade ao longo do tempo. Viu o florescer da faina da pesca, das salinas e dos frutos secos. Observou toda essa efervescência e assistiu a todo o declínio destas atividades económicas. Porque a economia é como árvore de folha caduca: as atividades económicas vão-se sucedendo, tal como as folhas das árvores. Pelo que aquelas atividades foram sendo substituídas pelo turismo, pela construção civil, pela restauração e pela hotelaria.

Evidentemente, as igrejas de Tavira sentiram o mesmo desgaste provocado pelo passar dos anos. O tempo foi corroendo as imagens, os frescos e os retábulos dos templos.

Dando-se conta do processo de degradação do património eclesiástico, o P.e Miguel criou a empresa Arte Gilão, para comercializar os produtos tradicionais do Sotavento Algarvio, nomeadamente frutos secos, sal e vinho. Os proventos são aplicados na recuperação do precioso património religioso católico de Tavira. Com esta iniciativa inovadora, o P.e Miguel pôs os seus talentos a render, contribuindo desta forma esplendorosa para a preservação dos templos de Deus e da cidade de Tavira.

 

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EDIÇÃO
Julho 2020 - nº 587
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