Sala de convívio
15 junho 2020

Diário da quarentena

Tempo de leitura: 1 min
Quando temos mais tempo disponível para nós, podemos treinar mais intensamente os nossos gostos.
Beatriz Guégués
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Nestas últimas semanas, tem sido só comer, dormir, comer, dormir, comer, dormir, comer, dormir – não, esperem, na verdade, até fiz outras coisas!

Para já, tenho de confessar que todos os dias tenho feito o esforço de me conter para não sair para o parque que vejo da minha janela e desatar a cabriolar por ali fora, mas evidentemente sinto muita falta de patinar, dos torneios de voleibol, de me encontrar com os meus amigos, das aulas chatas de sexta-feira à tarde – ninguém se vai lembrar que disse isto depois de voltarmos à escola, certo? Aqui, torna-se evidente quão essencial a vida social é para a nossa vida diária não se tornar uma espécie de rotina de prisioneiro – e ficar-se estirado na cama a comer os últimos pacotes de Doritos o dia todo não será a melhor opção.

Sendo eu uma entusiasta de k-pop e arte, dediquei ainda mais tempo a fazer desenhos e telas de artistas do k-pop e a gastar dois tubos de guache só nos olhos de um lince-ibérico. Sim, é verdade que já o fazia antes, mas agora é com outra intensidade e apuro.

A escrita e a leitura também se tornaram parte do meu quotidiano de reclusão, e até, pelo menos para mim própria, já digo que comecei a escrever um livro. Não posso deixar de falar do tempo que dedico a estudar línguas como coreano, espanhol e inglês, que já antes estudava, mas que neste momento estou a aprofundar, assim como das aulas em videoconferência, no Zoom, essa imensa sala de aulas virtual.

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EDIÇÃO
Julho 2020 - nº 587
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