Sala de convívio
09 abril 2021

Um mistério chamado plural

Tempo de leitura: 1 min
O plural dos nomes compostos é, muitas vezes, complicado ou controverso.
Hélder Guégués
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«É um museu que se faz pela comunidade local, com dinossauros e estátuas romanas, no meio da malha urbana da Batalha. Talvez a sua grande obra (que lhe tem valido vários prémios) seja a acessibilidade que pôs em todos os corredores, vitrines e legendas. Até a casa de banho tem um espaço dedicado aos cães-guias. [...] Há trilhos no chão, setas direccionais gravadas no piso para encaminhar quem se guia com a ajuda de uma bengala. Ali, até as casas de banho têm um bebedouro para os cães-guia que acompanham os visitantes do museu» («A Batalha é muito mais do que o seu mosteiro», Cristiana Faria Moreira, «Ípsilon»/Público, 7.09.2018, 6h18).

Ai, ai, e agora? O plural é «cães-guias» ou «cães-guia»? O plural dos nomes compostos é, muitas vezes, complicado ou controverso. O exemplo clássico é «navio-escola», em que só se pluraliza o primeiro elemento, porque o navio é destinado a uma escola. Isto é, escola determina, ou talvez melhor, identifica aqueles navios. Contudo, para demonstrar que é realmente matéria controversa, dois grandes estudiosos da língua portuguesa, Rebelo Gonçalves e José Pedro Machado, consideram que o plural é somente «navios-escolas». Voltando ao nosso exemplo, a jornalista decidiu (o que devemos evitar no mesmo texto) usar os dois plurais, que são, realmente, admissíveis no caso.

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EDIÇÃO
Julho 2022 - nº 609
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